Jovens de 18 a 24 anos que atuam em profissões mais expostas à inteligência artificial têm uma probabilidade de emprego 3,3 pontos percentuais menor e podem ganhar até 7% a menos, segundo levantamento da FGV. O efeito imediato não é demissão em massa, mas menos vagas de entrada no mercado.
As funções mais vulneráveis são as de entrada: atendimento inicial, apoio contábil, produção de conteúdo padronizado, análise documental e organização de dados. São tarefas que a tecnologia já executa com mais eficiência e menor custo.
O padrão se repete fora do Brasil. Um levantamento do Stanford Digital Economy Lab encontrou queda de cerca de 6% no emprego de jovens em funções expostas à IA entre 2022 e 2025.
No mesmo período, o emprego de trabalhadores experientes cresceu mais de 8%. Uma pesquisa da Anthropic, dona do chatbot Claude, identificou queda de 14% nas contratações de profissionais de 22 a 25 anos no setor de tecnologia.
Por que a porta de entrada é a mais afetada
O problema tem uma lógica difícil de resolver. Para ganhar experiência, o jovem precisa de uma vaga de iniciante, e é justamente essa vaga que está desaparecendo mais rápido com a automação.
O que já funciona como alternativa
Um caminho que já mostra resultado é a Lei da Aprendizagem, que garante formação profissional a adolescentes e jovens dentro de empresas. Entre quem conclui o programa, 80% seguem empregados um ano depois.
Os aprendizes também combinam trabalho e estudo com mais frequência. 60% fazem as duas coisas ao mesmo tempo, quatro vezes a média nacional. Apenas 7% desse grupo está fora da escola e do mercado de trabalho, contra 22% entre os jovens brasileiros em geral.
O que ainda falta responder
Os números mostram o efeito na entrada, não a saída. Falta saber se o mercado vai criar vagas novas na mesma velocidade em que fecha as de iniciante.
Também está em aberto se programas como a Lei da Aprendizagem dão conta de absorver uma geração inteira nessa transição.


























