O Brasil chegou a 75,08 milhões de inadimplentes em julho de 2026, recorde histórico e equivalente a 44,8% da população adulta do país, segundo levantamento da CNDL e do SPC Brasil divulgado neste mês. O total de negativados cresceu apenas 0,47% entre junho e julho, um ritmo baixo.
O dado que chama atenção é outro: as dívidas com 4 a 5 anos de atraso aumentaram 38,97% na comparação com o ano anterior.
Isso indica que o problema não é só gente nova entrando na inadimplência. É gente que entra e não consegue sair, mesmo com os programas de renegociação em vigor.
"Fica evidente que as medidas adotadas até o momento, como programas de renegociação de dívidas nos moldes do Desenrola, não têm sido suficientes para conter a expansão desse cenário adverso", disse José César da Costa, presidente da CNDL.
Quem deve, para quem e por quê
A dívida média por devedor é de R$ 5.205,30, e cada negativado deve, em média, a 2,34 empresas diferentes.
A maior parte das dívidas é de valor baixo: 28,94% dos devedores devem até R$ 500, e 41,16% têm dívidas de até R$ 1 mil.
Bancos respondem por 65,91% do total devido. Já as contas de água e energia, embora somem só 10,63% do total, foram o setor que mais cresceu: alta de 22%.
Os motivos mais citados pelos próprios devedores são juros altos (44%), imprevistos (27%), renda insuficiente (19%) e falta de organização financeira (9%).
A faixa etária mais atingida é a de 30 a 39 anos, com 18,19 milhões de pessoas negativadas, a maioria mulheres.
Como pretendem pagar
Para quitar as dívidas no segundo semestre, 35% dos devedores dizem que vão contratar empréstimo, o que pode significar trocar uma dívida cara por outra.
Outros 22% contam usar o salário do mês, 13% pretendem sacar o FGTS ou o Saque-Aniversário, e outros 13% apostam em programas de renegociação como o Desenrola.
O que ainda não tem resposta
Os dados mostram quantos brasileiros devem e por quê, mas não respondem à pergunta que fica: por que as dívidas mais antigas crescem mais rápido que as novas, se os programas de renegociação existem há anos.
Enquanto essa conta não fecha, o recorde de julho tende a não ser o último do ano.


























