O presidente Lula e o americano Donald Trump conversaram por telefone na sexta-feira (21), por 1 hora e 20 minutos, e Trump garantiu que os Estados Unidos "não irão se envolver nas eleições do Brasil". A informação foi confirmada por duas fontes do governo brasileiro.
A ligação partiu do Palácio da Alvorada. O Palácio do Planalto descreveu o tom da conversa como amistoso e cordial.
Lula disse a Trump que há vários candidatos na disputa presidencial brasileira e que o sistema eleitoral do país é "muito confiável". Em determinado momento, o brasileiro brincou que os dois se dão bem e não precisam de intermediários.
O que mais os dois discutiram
Sobre as tarifas aplicadas pelos EUA a produtos brasileiros, Lula chamou as justificativas americanas de "infundadas". Trump, por sua vez, sugeriu que "as equipes dos dois países voltem a se reunir o mais rapidamente possível".
Não há data marcada para esse novo encontro técnico.
O telefonema foi o gatilho direto de outro contato, horas depois. O representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, procurou o ministro brasileiro Márcio Elias Rosa, e os dois já marcaram uma reunião sobre o tarifaço para a semana que vem.
Na parte de segurança, Lula disse estar disposto a ampliar a cooperação entre os países, mas rejeitou equiparar facções criminosas brasileiras a organizações terroristas.
A conversa também passou por Ucrânia e Oriente Médio. Lula defendeu solução negociada para os dois conflitos.
O presidente brasileiro voltou a cobrar mudanças na estrutura do Conselho de Segurança da ONU.
Lula recebeu a ligação no Palácio da Alvorada acompanhado de quatro auxiliares: o chanceler Mauro Vieira, o ex-chanceler Celso Amorim, o assessor Laércio Portela e o embaixador Audo Faleiro.
O que ainda não tem resposta
Mesmo com o tom cordial, tarifas e outros pontos de atrito seguem sem solução marcada.
O contato reabriu o diálogo de alto nível entre os dois governos, mas não resolveu, sozinho, nenhuma das divergências comerciais.
O próximo teste concreto é a reunião entre Greer e Elias Rosa, marcada para a semana que vem: é ela que vai dizer se o tom amistoso do telefonema também aparece na mesa de negociação sobre o tarifaço.


























