A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) prendeu, na quinta-feira (29 de outubro), Krislaine Albuquerque Miranda, companheira do presidiário Bruno "Xita" Ataídes. Ela é apontada como operadora financeira do esquema de lavagem de dinheiro da facção Comboio do Cão (CDC).
A prisão é o ponto alto da segunda fase da Operação Fittizia, deflagrada pela Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco/Decor). Um efetivo de 40 policiais civis cumpriu cinco mandados de prisão preventiva no Distrito Federal (Ceilândia, Taguatinga, Vicente Pires e Planaltina) e na Paraíba.
As ações incluíram também medidas de estrangulamento patrimonial contra bens ligados à facção.
Segundo a polícia, Krislaine usava sua conta bancária como "conta de passagem" para movimentar o dinheiro da facção, depois que agentes localizaram empresas abertas com documentação fraudulenta ligadas a Xita.
Xita é apontado pela PCDF como um dos executores do homicídio de Wagner Faria de Queiroz, o "Neném", morto a tiros por volta de 12h15 de 13 de outubro de 2020, na Praça do DI, em Taguatinga.
O faccionado seguiu operando o esquema financeiro mesmo depois de preso, com a companheira assumindo a ponta que faltava.
Ele foi capturado em 11 de junho de 2024, numa abordagem de rotina na Avenida Hélio Prates, também em Taguatinga, portando um RG falso em nome de "João Carlos Borges". Xita estava foragido desde 2020.
Publicidade
Antes dessa captura, em 20 de janeiro de 2021, a polícia já havia tentado prendê-lo durante a Operação Judas, em Samambaia. Ao perceber o cerco, ele fugiu em alta velocidade num Ford Ka branco e tentou atropelar um delegado.
Nos imóveis ligados a Xita, os agentes encontraram um arsenal de guerra: luvas, balaclavas, munições, colete balístico com o brasão da Polícia Militar do DF e uma pistola Glock 9 mm com numeração raspada e seletor de rajada.
O esquema de empresas de fachada ligado ao Comboio do Cão segue o mesmo padrão identificado em outras facções brasileiras. O PCC, por exemplo, teria se infiltrado em 12 empresas de ônibus de São Paulo para movimentar recursos sem levantar suspeita.
Casos como este não são raros no Distrito Federal: a Polícia Civil já havia desmontado outro esquema de lavagem de dinheiro para facção criminosa em operação anterior neste ano.
Em São Paulo, um vereador chegou a ser preso de novo por suspeita de elo com o PCC. O braço financeiro das facções segue alvo recorrente da polícia neste ano.
O que acontece agora
Krislaine segue à disposição da Justiça após a prisão preventiva. A PCDF não informou se outros suspeitos ligados à rede financeira do Comboio do Cão seguem sendo procurados nesta fase da Operação Fittizia.































