Em depoimento à Polícia Federal em 15 de outubro, o empresário Daniel Vorcaro afirmou que pretendia deixar a presidência do Banco Master e repassar a gestão a outro executivo, caso fosse concluída a reorganização com o Banco de Brasília (BRB).
O depoimento foi tornado público e encaminhado ao Supremo Tribunal Federal nesta quinta-feira (29 de outubro). Segundo Vorcaro, a intenção era constituir um conglomerado financeiro reunindo o Master e o BRB. O projeto previa estrutura administrativa comum, com as duas instituições mantendo operações próprias.
Por que Vorcaro diz que já queria sair
Vorcaro afirma que queria sair porque enfrentava pressão do mercado financeiro e resistência pessoal à sua permanência na gestão do novo banco. Por isso, já considerava deixar o comando do Master antes mesmo de fechar as conversas com o BRB.
O meu interesse naquele momento, além de criar esse conglomerado, era sair da situação de executivo, porque eu entendia que eu estava sofrendo uma pressão mercadológica por questões de mercado mesmo, que já existe há 30 anos no mercado, o cartel que opera assim. [...] Mas existia também uma resistência pessoal contra mim. Eu não queria que isso fosse levado para esse novo banco, então já existia o interesse de sair da gestão.
Inicialmente, Vorcaro cogitou permanecer em um conselho de administração, mas depois afirmou ter abandonado essa hipótese. O então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, passou a ser considerado para uma função executiva na nova estrutura.
As alternativas incluíam a presidência de uma holding ou cargos de comando nas instituições do conglomerado. A definição dependeria do modelo societário escolhido e de exigências do Banco Central para aprovar os administradores. Vorcaro nega envolvimento no esquema de propina.
O que diz a investigação da PF
A Polícia Federal indiciou Vorcaro e mais 14 suspeitos na quarta-feira (28 de outubro) por fraude ligada ao Banco Master. Segundo a corporação, o esquema envolveu carteiras de crédito inexistentes compradas pelo BRB, controlado pelo governo do Distrito Federal.
Publicidade
Dos R$ 17 bilhões pagos pelo BRB ao Master na compra das carteiras, R$ 12,2 bilhões estão sob suspeita porque, segundo a PF, os créditos não existiam. Fundos de previdência de servidores estaduais e municipais tinham cerca de R$ 1,8 bilhão aplicados no banco.
Foi no mesmo depoimento de 15 de outubro que Vorcaro falou sobre o repasse de R$ 16,7 bilhões do BRB ao Master. O que Vorcaro apresenta como plano de saída é também o que a PF investiga como fraude bilionária.
Nesta sexta-feira (30 de outubro), o ex-presidente do BRB afirmou que o governador Ibaneis Rocha pediu a venda do banco ao Master, outro ponto que a investigação apura.
O que acontece agora
O caso segue na Justiça Federal e no Supremo Tribunal Federal, que recebeu o depoimento de Vorcaro nesta semana. O Banco Central já havia determinado a liquidação do Master em novembro de 2025, citando grave crise de liquidez.
Nenhum dos indiciados foi condenado até agora.































