Uma pesquisa do Sebrae em parceria com o Meta Instituto de Pesquisa mostra que 52% dos pequenos negócios brasileiros usaram inteligência artificial nas duas semanas anteriores à entrevista. Nos Estados Unidos, o índice é de apenas 21%, segundo dado do censo americano (US Census Bureau).

O levantamento, batizado de "Transformação Digital nos Pequenos Negócios", ouviu 7.182 donos de MEIs, microempresas e pequenas empresas no Brasil.

O setor de serviços lidera a adoção, com 62% dos negócios usando IA. Entre empreendedores de 18 a 29 anos, a fatia sobe para 78%, e entre os que têm pós-graduação, para 75%.

No Brasil, o uso mais comum da ferramenta é aprimorar tarefas que os funcionários já faziam, citado por 28% dos empresários. Outros 19% dizem usar a IA para criar funções novas dentro do negócio.

46% das empresas brasileiras precisaram criar fluxos de trabalho novos para incorporar a IA, ante 15% nas americanas. A diferença mostra que usar a ferramenta aqui exige bem mais esforço de adaptação do que nos Estados Unidos.

Apesar da adoção maior, o impacto no emprego foi pequeno: 90% dos pequenos negócios brasileiros que usam IA não mudaram o quadro de funcionários nos últimos seis meses. Outros 5% reduziram o quadro, e 3% contrataram mais.

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A principal barreira à adoção no Brasil é a falta de informação: 38% dos empresários dizem não conhecer as capacidades da tecnologia. Nos Estados Unidos, a razão mais citada foi outra: 62% dizem que a IA simplesmente não se aplica ao negócio deles.

Em Minas Gerais, a adoção de IA pelos pequenos negócios já havia chegado a 56%, acima da média nacional, mas só 11,2% integravam a ferramenta de fato à operação do dia a dia.

O setor público caminha na mesma direção: a IA já opera em 59% dos órgãos públicos do país, segundo levantamento do CGI.br.

Nem todo mundo lucra igual com a tecnologia no trabalho: pesquisa do instituto Gallup mostra que a IA no trabalho beneficia mais quem já tem o emprego melhor.

O que isso muda para quem empreende

Para o pequeno empresário, a pesquisa sugere que adotar IA sozinho não basta: o ganho real aparece quando a ferramenta é incorporada à rotina, não só testada uma vez. É esse o gargalo que o dado de Minas Gerais já havia escancarado.