A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) pediu ao Ministério Público de São Paulo a abertura de investigação contra Alexandre Domênico, o Alê, presidente da Gaviões da Fiel, torcida organizada do Corinthians, na quinta-feira (29 de outubro), depois de ele ameaçar a arbitragem nas redes sociais.
Nos stories do Instagram, publicados na quarta-feira (28 de outubro), Alê disse saber onde os árbitros se hospedam antes dos jogos do Corinthians.
A cota de vocês roubarem a gente dentro da Arena já deu. Isso não é uma ameaça. Só estamos avisando que já está ficando insustentável segurar a massa.
A CBF classificou a publicação como ameaça. A entidade diz agir em cumprimento ao dever institucional de zelar pela integridade, segurança e independência dos árbitros. Pede reforço na segurança da arbitragem nos jogos contra Mirassol e São Paulo.
Segundo a representação, a conduta pode ser enquadrada como ameaça e incitação ao crime, do Código Penal, e incitação à violência em evento esportivo, da Lei Geral do Esporte. O Ministério Público ainda não decidiu se vai abrir o inquérito pedido pela CBF.
A CBF pede ainda que Alê seja proibido de acessar o estádio e as imediações em dias de jogo e de se aproximar da equipe de arbitragem. A entidade também cobra medidas cíveis contra a torcida e seus dirigentes.
Antes da representação da CBF, o Ministério Público já havia se reunido com Mauro Silva, vice-presidente da Federação Paulista de Futebol. Os dois decidiram cobrar, em ofício, manifestação do presidente da Gaviões em até 5 dias.
Publicidade
Após o pedido da CBF, Alê negou intenção de ameaçar: "O que eu postei foi no meu perfil, como corintiano, e não em nome da Gaviões da Fiel". Disse ainda que falou "como torcedor, de cabeça quente", cansado de ver o Corinthians prejudicado.
A tensão com a arbitragem do Brasileirão não é exclusividade do Corinthians: em outubro, o Grêmio repudiou publicamente a arbitragem depois de a CBF admitir um pênalti não marcado no Grenal.
O caso também reacende o histórico de episódios de violência ligados a torcidas organizadas, como a condenação de um corintiano a 16 anos de prisão pela Batalha da Inajar, confronto entre torcidas em 2023.
O episódio ocorre num momento de pressão sobre o Corinthians fora de campo: um estudo da UFMG dá ao clube 66% de chance de rebaixamento no Brasileirão.
O Corinthians enfrenta o Mirassol na sexta-feira (30 de outubro), às 20h, na Neo Química Arena, pela 33ª rodada do Brasileirão.































