O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, trata o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como questão secundária diante do interesse americano pelo Brasil, segundo análise do jornalista William Waack publicada na quinta-feira (29 de outubro) na CNN Brasil, sobre os bastidores entre os dois países.

O governo americano ajudou a saída do senador da Argentina para os Estados Unidos, mas mira um acordo com o Brasil sobre minerais críticos e petróleo. Na coluna, Waack escreve que Trump tem sido "discreto" em relação ao resultado do 2º turno.

Ele critica a forma da eleição, mas não diz que não a reconhece.

Para o colunista, a ajuda logística à fuga de Flávio (um avião providenciado na Argentina e um visto provisório de permanência nos Estados Unidos) "é pouco para que o clã Bolsonaro esperava, mas é significativo para as relações entre Brasil e Estados Unidos".

O voo que levou Flávio da Argentina a Miami, em 28 de outubro, custou R$ 414 mil. Nos Estados Unidos, o senador recebeu tratamento especial da Casa Branca e um visto provisório de permanência, segundo a mesma análise.

Para Waack, a postura discreta de Trump em relação a Flávio reflete a doutrina de segurança nacional da Casa Branca, que trata a América Latina como área de influência direta dos Estados Unidos.

O principal fator de preocupação do governo americano, escreve o colunista, é o avanço da China na região.

O Brasil concentra três setores que interessam diretamente à geopolítica americana: combustíveis fósseis, minerais raros e commodities agrícolas. Washington quer o país mais distante de Pequim e busca garantir o fornecimento desses recursos, segundo a coluna.

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Antes mesmo do resultado da eleição, o governo americano já sinalizava que esperaria o fim do 2º turno para cobrar avanços do Brasil sobre minerais críticos. O tema foi tratado como prioridade da Casa Branca nas semanas que antecederam a votação.

Washington também busca alinhamento do Brasil numa ação conjunta de combate ao narcotráfico e ao que os americanos chamam de narcoterrorismo. É uma questão tratada pelos Estados Unidos como prioridade de segurança nacional, segundo a análise.

O Brasil se dispõe a cooperar, mas recusa integrar a estrutura criada pelos americanos para esse fim.

A resistência brasileira já havia ficado clara em outubro. Trump citou o PCC e o Comando Vermelho ao cobrar ação contra o crime organizado.

Mesmo assim, o Brasil segue de fora do Escudo das Américas, a aliança de segurança que os Estados Unidos montaram no continente.

Reeleito, Lula sinaliza que buscará uma relação pragmática com Trump no quarto mandato. Segundo a agência Reuters, o presidente disse não haver motivo para temer as críticas americanas.

Aliados de Flávio tentam reduzir o desgaste da carta enviada pelo senador dos Estados Unidos. O coordenador de campanha, Rogério Marinho, disse esperar que Trump não interfira diretamente no episódio.

Por ora, segundo a análise de Waack, Trump trata Flávio como peça menor diante do que o colunista chama de "a grande briga com o Brasil". A disputa por minerais críticos, petróleo e influência na América do Sul segue sem data de resolução.

Não há, na análise, sinalização de data para um novo encontro presencial entre Trump e Lula.