O Ibovespa fechou a quinta-feira (29 de outubro) em 169.186,42 pontos, queda de 1,06% no dia e a quarta sessão seguida no vermelho. O dólar subiu e fechou a R$ 5,39, pressionado por dúvidas sobre a política fiscal do governo que começa em 2027.

O pregão negociou R$ 28,49 bilhões. As dúvidas sobre as contas públicas e o rumo dos juros mantiveram os investidores atentos às próximas decisões de política econômica, à espera de sinais sobre o plano econômico do novo mandato de Lula (PT).

As perdas da Bolsa diminuíram no fim do pregão depois que circulou um boato: o de que Rafael Fonteles, governador reeleito do Piauí, poderia ser convidado para o Ministério da Fazenda.

Bastou um nome cotado para acalmar, por algumas horas, um mercado nervoso com o que ainda não foi dito.

Fonteles negou ter tratado de qualquer cargo no governo Lula. Ele disse não ter recebido convite formal, mas chegou a comentar, em entrevista, que o equilíbrio fiscal do novo mandato viria de corte em privilégios e desperdício, sem reduzir programas sociais.

Essa é também a linha defendida por Guilherme Boulos, ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência. Na quinta (29), ele disse que a reeleição de Lula rejeitou o ajuste fiscal baseado em cortes sociais: "O Tesouraço foi derrotado nas urnas e pela mobilização popular."

"Tesouraço" foi a proposta discutida pela equipe econômica de Flávio Bolsonaro na campanha, de cortar entre R$ 150 bilhões e R$ 200 bilhões anuais em despesas primárias a partir de 2027. Boulos defende, como alternativa, cortes em emendas parlamentares e benefícios fiscais.

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O pano de fundo que preocupa o mercado tem números concretos. A dívida bruta do governo geral chegou a 82,9% do PIB em setembro, maior patamar desde março de 2021, segundo dados do Banco Central.

Em dezembro de 2022, no início do mandato atual, o indicador estava em 71,68% do PIB — alta de mais de 11 pontos percentuais no período.

Nem todo número vai na mesma direção. O estoque da dívida pública já subiu R$ 748 bilhões neste ano.

Mas o déficit primário mensal vem encolhendo: foi de R$ 17,45 bilhões em setembro de 2025, passou para R$ 10 bilhões em agosto e caiu a R$ 5,5 bilhões em setembro.

Especula-se sobre quem pode ser o novo ministro da Fazenda desde a semana passada, sem definição.

A queda também acompanhou o humor das bolsas americanas e a temporada de balanços corporativos no Brasil. A Petrobras, que responde por 13,5% do Ibovespa, teve desempenho misto: PETR3 subiu 0,05%, e PETR4 caiu 0,59%.

O que o mercado ainda não sabe

Quem assume a Fazenda e qual desenho terá o ajuste fiscal do governo que começa em 2027 ainda não têm resposta oficial.

Até que Lula anuncie a equipe econômica, cada rumor de nome pesa na cotação do dólar e no humor da Bolsa, como já aconteceu nesta quinta-feira.