O ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa negou à Polícia Federal ter recebido seis apartamentos de luxo do banqueiro Daniel Vorcaro. A PF suspeita que os imóveis foram propina pela venda de créditos podres do Master ao BRB.
Segundo Costa, os apartamentos seriam a moradia dele caso aceitasse o convite de Vorcaro para presidir uma nova holding financeira formada pela fusão dos dois bancos.
A PF já havia apontado o mesmo esquema em setembro, quando investigadores calcularam o valor dos imóveis em R$ 146,5 milhões.
Costa contou à PF que visitou cerca de 15 imóveis em São Paulo e enviou a Vorcaro uma lista com os quatro que mais gostou.
"Eu mando essa lista de quatro. Ele vai lá e fala: 'Eu vou comprar todos. Por que você não fica?'", contou Costa à PF, sobre a resposta de Vorcaro ao pedido de apartamentos.
Vorcaro nega qualquer promessa de propina. Em depoimento no mesmo dia, afirmou que os imóveis fariam parte do pacote de gestão do cargo, não de um acordo pelas operações entre os bancos.
Eu não prometi imóvel para ele. Prometi moradia como parte do benefício de ser gestor do banco.
Segundo o banqueiro, a oferta incluía dois imóveis em São Paulo porque, se a fusão fosse concluída, Costa teria de se mudar para lá para assumir a presidência do novo conglomerado.
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As duas versões, gravadas em vídeo e enviadas ao Supremo Tribunal Federal (STF) na quinta-feira (29 de outubro), colocam o inquérito diante de uma palavra contra a outra sobre o mesmo pacote de imóveis.
Quais são os imóveis em disputa
Os seis imóveis citados no depoimento somam R$ 146,5 milhões e ficam em dois endereços de alto padrão: o Itaim Bibi, em São Paulo, e o Noroeste, em Brasília. A posse, segundo a PF, era mantida de forma indireta, por meio de empresas.
- São Paulo: Heritage
- São Paulo: Edifício Arbórea
- São Paulo: Casa Lafer, no Itaim Bibi
- São Paulo: Edifício One Sixty
- Brasília: Valle dos Ipês
- Brasília: Edifício Ennius Muniz, no Noroeste
A estrutura, segundo a PF, dificultava identificar os reais beneficiários dos apartamentos.
A proposta de fusão entre BRB e Master nunca saiu do papel. O Banco Central barrou a operação em setembro de 2025.
Mesmo assim, o BRB já tinha transferido R$ 12,2 bilhões ao Master em operações de cessão de crédito entre dezembro de 2024 e maio de 2025, mesmo após alertas formais e pareceres técnicos contrários.
Costa está preso desde abril, na quarta fase da Operação Compliance Zero, que apura fraudes do Banco Master. Na quarta-feira (28 de outubro), a PF indiciou Vorcaro e mais 14 pessoas por fraude de R$ 12,2 bilhões no banco.
Também nesta quinta (29), outro vídeo divulgado mostrou Costa dizendo que o então governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB) o orientou sobre a venda do BRB ao Master, antes de considerar a proposta de Vorcaro.
O que acontece agora
O vídeo dos dois depoimentos está agora com o Supremo Tribunal Federal (STF), que acompanha o inquérito por envolver agentes públicos. Vorcaro e mais 14 pessoas já foram indiciados por fraude de R$ 12,2 bilhões; falta à PGR decidir se denuncia também Costa.































