A Suzano comunicou a clientes da Europa e da América do Norte um novo aumento de US$ 50 por tonelada no preço da celulose, a partir de novembro. O preço de lista na Europa passa a US$ 1.410 por tonelada.

A informação é do InfoMoney, confirmada pela própria empresa.

É o segundo anúncio de alta de US$ 50 por tonelada feito pela Suzano em outubro. Mais cedo no mês, a companhia já havia subido os preços em US$ 50 nas Américas e em US$ 20 na Ásia.

Os dois reajustes anteriores entraram em vigor ainda em outubro.

Com o novo aumento, a referência europeia sobe de cerca de US$ 1.360 para US$ 1.410 por tonelada, segundo a CNN Brasil. A empresa atribui os reajustes ao acompanhamento dos preços internacionais e das condições de oferta e demanda nos principais mercados.

Fábrica da Suzano em Mucuri, na Bahia, com funcionários e rolos de papel
Fábrica da Suzano em Mucuri (BA). Foto: Jaques Wagner Governador from Bahia/Brasil/Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

A Suzano é a maior produtora de celulose de eucalipto do mundo. A companhia já havia aplicado alta de US$ 50 por tonelada em maio, antes dos dois reajustes seguintes de outubro.

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É o terceiro reajuste de preço anunciado pela Suzano em 2026. Neste mesmo ano, a companhia também fechou aprovações antitruste para a joint venture com a Kimberly-Clark.

Por que o preço da celulose está subindo?

A alta reflete a queda dos estoques globais e a retomada das compras por fabricantes chineses, segundo o Itaú BBA, citado pelo Guia do Investidor. O banco cita também atrasos em projetos concorrentes, caso do OKI II.

A XP Investimentos é mais cautelosa. O banco aponta a baixa rentabilidade dos fabricantes de papel e a chegada de cerca de 6,8 milhões de toneladas de nova capacidade chinesa até 2027 como fatores que podem pressionar os preços adiante.

Quem paga a conta do reajuste é o setor de papel e embalagens, que compra a celulose como insumo. O Portal Packaging registra que o preço da celulose pesa na estrutura de custos das fabricantes de papel.

O efeito final no preço do papel ainda depende da demanda e dos estoques de cada empresa.

Nem todo concorrente colhe os mesmos resultados agora. A Klabin teve queda de 18% no lucro do 3º trimestre, para R$ 393 milhões, na mesma semana do novo reajuste da Suzano.

O ponto em aberto

A dúvida que fica para os próximos meses é até onde o ciclo de altas se sustenta. Em julho, as exportações de celulose brasileira já haviam recuado, mesmo com o setor mantendo competitividade.

O mesmo fator que hoje sustenta o preço, a oferta restrita, é o que a XP aponta como o que deve mudar quando a nova capacidade chinesa entrar em operação a partir de 2027.