O Banco do Japão manteve nesta sexta-feira (30 de outubro) sua taxa básica de juros em 1,25% ao ano, o maior patamar desde 1995, e elevou a projeção de inflação para 2027. A decisão reforça o aperto monetário que já pressiona o real.

Segundo o Banco do Japão, a taxa básica de juros ficou mantida em 1,25% ao ano após uma reunião de política monetária de dois dias, a primeira desde as altas de junho e setembro.

A decisão não foi unânime: o diretor Hajime Takata votou contra e defendia alta maior, para 1,5%. O presidente do banco, Kazuo Ueda, cita riscos de inflação, mas prefere monitorar antes os efeitos das altas anteriores.

Por que isso pesa no bolso do investidor brasileiro

A alta de juros no Japão encarece o carry trade, estratégia em que investidores tomam empréstimo em iene a custo baixo para aplicar em países de juro alto, como o Brasil. A Selic brasileira está em 13,75% ao ano.

Com o aperto japonês, a operação fica menos vantajosa. Parte dos investidores retira capital de mercados emergentes para pagar dívidas no Japão. O movimento tende a valorizar o dólar e pressionar o Ibovespa.

O Ibovespa já caiu pela terceira vez seguida nesta semana, com fuga de R$ 2,8 bilhões, reflexo da mesma cautela que atinge mercados emergentes.

A decisão do BoJ chega dois dias depois de o Federal Reserve também manter os juros dos Estados Unidos inalterados, mantendo o mesmo diferencial de juros entre as três economias.

Publicidade

Analistas apontam exportadoras como Vale e JBS, e varejistas como Magazine Luiza e Lojas Renner, entre as mais sensíveis à volatilidade cambial. Quando o crédito fica mais caro no Japão, o capital que financiava apostas no Brasil tende a voltar para casa.

O próprio governo japonês já havia pedido cautela ao Banco do Japão. A autoridade monetária resiste à pressão por juros mais altos desde o início de outubro.

A decisão do BoJ não altera diretamente a Selic, mas pressiona o câmbio, segundo analistas. O banco também manteve a previsão de inflação em 2,5% para o ano fiscal que termina em março de 2027 e em 2,0% para 2028.

O Brasil segue o caminho oposto: o Banco Central já cortou a Selic para o mesmo patamar de quando Lula tomou posse, enquanto o Japão aperta a política monetária pela primeira vez em décadas.

O que acontece agora

O mercado agora observa a reunião de dezembro do BoJ, quando a chance de um novo aumento é considerada relativamente alta. Uma nova alta japonesa tende a intensificar a pressão sobre o real e a Bolsa brasileira.

O Fed também pode subir os juros em dezembro.