O Distrito Federal será, a partir de 2027, a primeira unidade da Federação com as três vagas do Senado ocupadas só por mulheres. Michelle Bolsonaro e Bia Kicis, do PL, venceram a disputa no primeiro turno, em 4 de outubro.
Elas se juntam à senadora Damares Alves (Republicanos), que segue no cargo até 2031 e não disputou a eleição deste ano. Na disputa pelas duas vagas, ficaram para trás Leila do Vôlei (PDT), com 21,25% dos votos, e Erika Kokay (PT), com 18,91%.
Uma pesquisa Quaest divulgada na véspera da votação, em 3 de outubro, apontava Michelle na liderança, com 31% das intenções, seguida por Leila (27%), Bia Kicis (24%) e Kokay (17%).
O levantamento, contratado pelo Grupo Globo, ouviu 2.652 eleitores do DF entre 2 e 3 de outubro, com margem de erro de dois pontos percentuais, nível de confiança de 95% e registro DF-04089/2026 no TSE.
Para a cientista política Flávia Biroli, professora da Universidade de Brasília (UnB), o resultado do Senado não reflete toda a representação feminina no DF. Nenhuma mulher foi eleita para as oito vagas do DF na Câmara dos Deputados neste pleito.
"A eleição do DF para o Senado acabou não sendo a regra, está mais para a exceção. Na Câmara, embora tenha a maior bancada, o PL está abaixo do PT no número de mulheres", avalia a professora.
Por que a bancada se diz "feminina, não feminista"?
A bancada se diz feminina, não feminista porque Michelle Bolsonaro e Bia Kicis defendem mais mulheres na política, mas rejeitam publicamente a pauta do movimento feminista, discurso central da campanha das duas dentro do PL Mulher.
A combinação amplia a presença de mulheres no Senado e, ao mesmo tempo, mantém a oposição a pautas historicamente defendidas pelo movimento feminista.
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Em 2023, como deputada federal, Bia Kicis foi uma das 10 parlamentares que votaram contra o projeto de lei que buscava assegurar a igualdade salarial entre homens e mulheres.
Na ocasião, afirmou que a igualdade já era prevista na CLT e que era contra impor multa pesada a quem emprega mulheres e homens.
Michelle Bolsonaro chefiou o PL Mulher por três anos, com a meta de ampliar a participação feminina no partido. Em discursos a filiadas, disse apoiar uma política "feminina, não feminista" e defendeu uma "submissão saudável".
Não estamos aqui para demonizar a figura masculina. Quem faz isso, com muita propriedade, são as feministas, as parlamentares de esquerda, do PT, do PSOL.
A fala, feita em evento do PL Mulher, resume o tom que marcou a campanha de Michelle entre as filiadas do partido.
O caso do DF é parte de um movimento maior. O Senado elegeu número recorde de mulheres em 2026, superando a marca anterior, de 2002.
A disputa pelas duas vagas do DF foi decidida ainda no primeiro turno, em 4 de outubro, sem necessidade de segundo turno para o cargo.
As novas senadoras chegam a um Congresso que terá 33 parlamentares estreantes em 2027, entre eles a própria Michelle Bolsonaro, que nunca havia ocupado mandato eletivo.
O que acontece agora
Michelle Bolsonaro e Bia Kicis tomam posse como senadoras em 1º de fevereiro de 2027, data de abertura da nova legislatura no Congresso. Damares Alves, que não disputou a eleição deste ano, segue no mandato até 2031.
Ela passa a dividir a bancada do DF só com mulheres.





























