A Trasladação do Círio de Nazaré reuniu multidões em Belém na noite deste sábado (10), com fiéis cumprindo promessas e agradecendo pela saúde de parentes. A procissão de 3,69 quilômetros terminou às 23h20, após cinco horas e meia de caminhada.

Suzana Klautau percorreu todo o trajeto de joelhos para agradecer pela saúde do filho, Bento, de 1 ano. O menino aspirou um grão de milho, precisou de cirurgia para retirá-lo do pulmão, e a mãe guardou o grão para entregar ao Carro dos Milagres.

"Fiz uma promessa pro meu filho porque ele passou muito mal", contou Suzana, segundo o g1.

A história dela não é isolada.

Ana Paula Ramalho também pagou promessa na Trasladação deste ano. A filha dela nasceu prematura e ficou internada numa UTI durante a pandemia de Covid-19, com prognóstico considerado grave pelos médicos.

Ela foi desenganada três vezes. Quando o médico falou que ela não sairia mais do hospital, em vez de me revoltar, entreguei ela a Nossa Senhora e pedi muito para que conseguisse. Prometi que iria na corda até ela completar 15 anos de idade.

A citação é de Ana Paula, segundo o jornal O Liberal. A filha recebeu alta um dia depois da oração.

O número de visitas da imagem peregrina de Nazaré fora dos dias do Círio cresceu 97,3% neste ano. Foram 509 entre janeiro e 29 de agosto, contra 258 no mesmo período de 2025, segundo a Diretoria da Festa de Nazaré.

O crescimento mostra como a imagem circula cada vez mais fora da data oficial da festa. Nos relatos de quem acompanha a procissão, o pedido que mais se repete é por saúde.

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Como a Igreja e a segurança sustentam a festa

Antes da Trasladação, o arcebispo de Belém, Dom Júlio Endi Akamine, presidiu uma missa para uma multidão que lotou a área em frente ao Colégio Gentil Bittencourt.

A berlinda que carrega a imagem foi decorada com rosas, hortênsias, bocas-de-leão e orquídeas brancas, num efeito que a diretoria da festa descreveu como o de "flutuar sobre a imensidão de romeiros".

A logística por trás da festa é tratada como operação de grande porte havia décadas. No Círio Fluvial, mais de 300 embarcações levaram cerca de 7 mil pessoas pela Baía do Guajará, com apoio de mais de 400 militares da Marinha.

O vice-almirante Adriano Marcelino Batista, comandante do 4º Distrito Naval, destacou a tradição da Marinha na festa.

"A Marinha se orgulha de poder proporcionar a coordenação do Círio Fluvial já há 40 anos. É uma atividade náutica muito típica para uma cidade como Belém, em que os rios são as ruas e o principal meio de deslocamento", disse.

Neste domingo (11), a procissão principal do Círio deve reunir mais de 1 milhão de pessoas nas ruas de Belém, somadas às romarias já realizadas ao longo da semana.

A festa também move a economia da capital paraense. O turismo do Círio 2026 deve gerar R$ 207,5 milhões para o comércio e os serviços da cidade.

O Círio é Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil pelo Iphan e Patrimônio Cultural da Humanidade pela Unesco, reconhecimento que também já valeu a dois teatros da região Norte, o Amazonas e o Theatro da Paz.

O que os números da festa mostram

O crescimento de quase 100% nas visitas da imagem peregrina fora da época do Círio não aparece sozinho. Ele vem acompanhado de relatos como os de Suzana Klautau e Ana Paula Ramalho, famílias que buscaram a santa depois de prognósticos médicos graves.

Os dados sugerem uma devoção que migrou de um pico concentrado em outubro para uma procura constante ao longo do ano, em boa parte ligada à saúde.