Os títulos públicos federais de prazo mais longo dispararam até 13,02% entre os fechamentos de 2 e 9 de outubro, a semana do 1º turno da eleição. O ganho superou a alta de 8,82% do Ibovespa, impulsionado pela queda dos juros.
O líder foi o Tesouro IPCA+ 2050, que rendeu 13,02% em cinco dias úteis. Na sequência vieram o Tesouro Prefixado com Juros Semestrais 2037 (10,32%) e o Tesouro IPCA+ 2040 (9,30%).
O gatilho foi a queda generalizada das taxas de juros exigidas pelo mercado para os títulos. Como o preço desses papéis se move no sentido contrário à taxa, a redução dos rendimentos elevou o valor de quem já tinha o título em carteira.
O efeito foi mais forte justamente nos vencimentos mais distantes, que concentram mais tempo de exposição à mudança de taxa.
Por que o mercado reagiu assim?
O movimento reflete uma aposta do mercado sobre o cenário fiscal depois da eleição, não uma mudança de política econômica já confirmada.
"É sempre bom ressaltar que o mercado está precificando uma expectativa, não uma política econômica já apresentada", disse Marcelo Boragini, da Davos Investimentos.
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Leonardo Mendes, da Manchester Investimentos, explica que os títulos mais longos capturam uma parcela maior do prêmio ligado à trajetória da dívida pública e à percepção de risco fiscal, o que amplia tanto a queda quanto a alta desses papéis.
O JPMorgan elevou a recomendação para os juros locais de neutra para overweight (sobrealocar). Em relatório, o banco escreveu: "Os níveis estão longe do ideal, mas o momentum é forte".
O rali dos títulos acompanhou a disparada do Ibovespa, que bateu 206 mil pontos depois do 1º turno. O movimento também beneficiou ativos de maior risco.
Na mesma semana, as small caps da Bolsa saltaram 20%, embora ainda tenham perdido para o índice no acumulado do ano. Já em setembro, o Ibovespa tinha fechado com a melhor alta mensal desde janeiro.
O que isso significa para quem investiu?
O ganho bruto encolhe bastante depois dos impostos para quem resgatou rápido. O IOF regressivo consome mais de 75% do rendimento em operações de poucos dias, e ainda incide Imposto de Renda de 22,5% sobre aplicações de até 180 dias.
Na prática, quem comprou e vendeu o título na mesma semana teria, descontados os impostos, um resultado líquido inferior ao do Ibovespa no período.
O ponto em aberto
O rali ainda é uma aposta, não um resultado garantido: o mercado precificou uma expectativa fiscal, e o 2º turno, em 25 de outubro, ainda vai definir o rumo das contas públicas.
Se o cenário que sustentou a alta não se confirmar depois da eleição, o movimento pode se reverter com a mesma intensidade, derrubando o preço dos títulos mais longos.





























