O crédito rural contratado entre julho e setembro, no início da safra 2026/27, caiu 30,5% ante o mesmo período do ano passado, para R$ 78,89 bilhões, segundo a Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), com dados do Banco Central do Brasil.
No mesmo trimestre da safra anterior, 2025/26, o volume contratado havia somado R$ 113,49 bilhões. A queda consolida um recuo que já vinha sendo apontado em julho e agosto.
Em setembro, o Banco Central havia registrado retração de 26,4% só nos dois primeiros meses da safra, para R$ 52,4 bilhões. Com um mês a mais incluído na conta, o recuo acumulado piorou para 30,5%.
A Ocepar atribui o quadro a dificuldades dos dois lados do financiamento.
De um lado, produtores endividados por safras anteriores têm menos margem no orçamento para contratar crédito novo. Do outro, bancos e cooperativas estão mais cautelosos para conceder empréstimos, num cenário de juros altos.
A inadimplência do crédito rural de pessoas físicas chegou a 9,69% em agosto, segundo o Relatório de Estabilidade Financeira do Banco Central. As Cédulas de Produto Rural (CPRs), outra via de financiamento da safra, movimentaram R$ 32,4 bilhões em julho e agosto.
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O BNDES chegou a reservar R$ 72 bilhões para o Plano Safra 2026/27, linha separada da contratação bancária e cooperativa medida pela Ocepar.
O aperto no crédito ocorre apesar do tamanho do Plano Safra 2026/27, anunciado em R$ 525,1 bilhões. O volume contratado na ponta, porém, está abaixo do ritmo de safras anteriores.
Nos dois primeiros meses da safra, a distribuição por programa mostrava R$ 24,27 bilhões para os demais produtores, R$ 15,69 bilhões para o Pronaf, linha da agricultura familiar, e R$ 12,45 bilhões para o Pronamp, voltado a médios produtores.
Apesar do volume menor, o valor médio por contrato subiu entre os agricultores familiares: o ticket médio do Pronaf passou a R$ 49 mil, alta de 49,1% ante o mesmo período da safra anterior.
O que acontece agora
A Ocepar e o Banco Central devem voltar a divulgar os números de crédito rural no fechamento de outubro, já no quarto mês da safra 2026/27. É o dado que vai mostrar se o recuo se aprofunda ou começa a ser revertido.





























