O ministro da Saúde, Alexandre Padilha (PT), classificou neste sábado (10) como "farsa" o relato de Daniel Vorcaro à PGR, que o acusa de integrar esquema de propina de até R$ 1 bilhão no Banco Master. Padilha nega e culpa Flávio Bolsonaro (PL).
No documento, obtido pela Polícia Federal na Operação Compliance Zero e divulgado pela revista Veja na sexta-feira (9), Vorcaro afirma que o grupo cobrava propina de 10% sobre os recursos captados pelo Banco Master.
O dinheiro viria de fundos de pensão como a Petros, dos funcionários da Petrobras, e o Postalis, dos Correios.
Segundo o relato, a expectativa era viabilizar R$ 10 bilhões em investimentos no banco e receber até R$ 1 bilhão em propinas. O banqueiro alegou ainda ter pago R$ 500 mil de adiantamento ao grupo.
Foi uma farsa montada ontem. Montaram um teatro para o candidato da oposição, que chama Vorcaro de irmão, que pegou dinheiro de Vorcaro e que visitou Vorcaro preso.
Padilha fez a declaração a jornalistas em Belo Horizonte, neste sábado. Ele também chamou o senador Flávio Bolsonaro de "mentiroso contumaz" e citou outras suspeitas que recaem sobre o parlamentar.
Entre elas, as rachadinhas em seu antigo gabinete no Rio de Janeiro, a compra de uma mansão em dinheiro vivo e indícios de lavagem de dinheiro em uma loja de chocolates.
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Segundo Padilha, quem recebeu dinheiro de Vorcaro foi o próprio Flávio, por meio de um filme e de um instituto ligados a ele.
A campanha de Lula classificou a reportagem da Veja como uma farsa montada por Flávio Bolsonaro e Vorcaro, numa tentativa de desviar as suspeitas sobre o próprio senador.
Flávio rebateu as acusações. Segundo o jornal Razão, o senador disse que "o Bolsonaro pediu um patrocínio e o Lula pediu propina", em referência ao mesmo áudio de Vorcaro.
Em setembro, Lula já havia ligado publicamente Bolsonaro a Vorcaro.
O que a PGR decidiu sobre o relato de Vorcaro?
A PGR rejeitou, pela segunda vez, a proposta de colaboração premiada de Vorcaro. A negociação não incluiu depoimento oral do banqueiro: as tratativas ocorreram só com os advogados dele, sem contato direto da Procuradoria com o próprio Vorcaro.
A Polícia Federal também já apontou Vorcaro como pagador de propina em outro caso: segundo apuração da PF, ele pagou R$ 146,5 milhões a um ex-presidente do BRB.
O que acontece agora
Até a publicação desta reportagem, a PGR não havia aberto novo procedimento a partir do material revelado pela Veja. A proposta de delação de Vorcaro já tinha sido rejeitada duas vezes.
O episódio ocorre a duas semanas do 2º turno da eleição presidencial, marcado para 25 de outubro, entre Lula e Flávio Bolsonaro.





























