O governo federal ampliou nesta sexta-feira (9) o subsídio ao diesel importado de R$ 2,12 para R$ 3,52 por litro, alta de 66%, para garantir o abastecimento diante da crise global de refino. A medida vai custar R$ 2,7 bilhões por mês.

A medida foi anunciada pelos ministros Dario Durigan, da Fazenda, e Bruno Moretti, do Planejamento. O presidente-executivo da Associação Brasileira das Importadoras de Combustíveis (Abicom), Sérgio Araújo, afirma que outubro está garantido.

"O abastecimento do mês de outubro já está garantido", disse. Sobre novembro, foi mais cauteloso. "Estamos aguardando o fechamento de novas cargas. Por ora, o volume ainda está bem baixo", completou.

A fatia da Rússia nas importações caiu de 27% para 6% em um ano, e a da Arábia Saudita, de 12% para 0% em setembro. O movimento se acelerou depois de Putin travar as exportações de diesel russo no início de outubro.

Os Estados Unidos ocuparam o espaço livre, com nova prioridade nas compras.

A participação americana subiu de 46% para 74% em um ano, e chegou a 80% das compras externas em setembro, concentração que preocupa o setor.

Na bomba, o efeito já aparece. O litro do diesel comum custava R$ 6,98 na primeira semana de outubro, e o S-10 chegou a R$ 7,36, na quinta semana seguida de alta.

O acumulado desde o fim de agosto já passa de 7%, ritmo que já havia levado o litro a R$ 7,35 no início do mês.

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O pacote busca garantir a oferta, não o preço. O objetivo do subsídio é evitar o desabastecimento, não baixar o preço do diesel para o consumidor.

Quem paga a conta do subsídio

A conta do pacote é bancada por um crédito extraordinário de R$ 7,52 bilhões, aberto pelo governo na mesma sexta-feira (9). Desse total, R$ 6,17 bilhões vão para o diesel rodoviário e R$ 1,35 bilhão para os demais derivados do petróleo.

Economistas avaliam que o ritmo é insustentável. Edmar de Almeida, da PUC-Rio, chama as medidas de fiscalmente insustentáveis.

Rai Chicoli, estrategista-chefe da Monte Bravo, diz que "o governo já fez tudo o que podia fazer e vai chegar um momento em que vai estar mais gastando para manter os preços do que arrecadando por conta do petróleo mais alto".

O pacote de subsídios já custou R$ 40 bilhões sem segurar o preço na bomba.

Bruno Perri, economista-chefe da Forum Investimentos, chama o momento de "desespero pré-eleitoral". O anúncio saiu a 16 dias do 2º turno, em que Lula tenta a reeleição contra Flávio Bolsonaro.

Moretti nega relação com o calendário eleitoral e diz que o governo reavalia os subsídios todo mês.

O valor-base de R$ 2,12 por litro nasceu em duas etapas. R$ 1,12 vieram de uma medida provisória de maio, e mais R$ 1 foi somado em setembro.

A Petrobras concentra 86% dos R$ 15,5 bilhões pagos em subvenção de diesel até setembro, e importou 650 mil m³ do combustível só em outubro, quase metade do total trazido de fora.

O que acontece agora

O novo valor do subsídio vale por 30 dias, até o início de novembro. A Abicom diz que o volume de cargas fechadas para o mês seguinte ainda é baixo.

Sem nova rodada de contratos de importação, o risco de desabastecimento se desloca de outubro para novembro.