O ministro do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, reuniu-se neste sábado (10) com o governador do Amazonas, Roberto Cidade, para amenizar a divergência sobre o apoio federal às queimadas no estado. Na véspera, os bombeiros amazonenses disseram que um pedido de ajuda foi negado.

O comandante do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM), coronel Orleilso Muniz, afirmou na sexta-feira (9) à Rede Amazônica que a corporação recebeu resposta negativa a um pedido de apoio federal.

Horas depois, o Ministério do Meio Ambiente rebateu a fala e disse que o governo estadual pediu ajuda, mas desistiu.

"Vocês estão insistindo numa discussão sobre uma polêmica que, no momento, não é o foco da atuação. Nosso objetivo aqui para resolver o problema com clareza. Nós estamos aqui para atuar de forma integrada, para resolver o problema", declarou Capobianco, questionado sobre o atrito.

"É momento da gente e cuidar da Amazônia, cuidar do Brasil. Essas narrativas não vão ajudar em nada. É momento de pensar no nosso povo que está sofrendo lá. A verdade sempre vai aparecer, mas hoje, o momento é de trabalho e dedicação", completou Cidade.

Segundo o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), o Ibama já extinguiu 229 incêndios no Amazonas desde o início do período crítico, com 20 focos ainda ativos.

O reforço, que inclui o envio de 290 brigadistas anunciado por Lula, soma seis aeronaves: quatro aviões Air Tractor para lançamento de água e dois helicópteros.

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O Amazonas já havia declarado emergência climática por causa do El Niño em junho, antes do agravamento das queimadas que motivou a reunião deste sábado.

O que o governador diz ter pedido

Cidade mostrou 43 ofícios enviados ao governo federal desde o fim de julho, pedindo apoio financeiro, equipamento e aeronaves contra a seca e as queimadas. Em agosto, pediu R$ 80 milhões ao Ministério da Integração e R$ 50 milhões ao Meio Ambiente.

Entre os pedidos também estava apoio a 250 mil famílias em vulnerabilidade, prorrogação de quatro meses do seguro-defeso para pescadores artesanais e, em 18 de setembro, quatro aeronaves com capacidade de 3.200 litros de água e um avião Bandeirante.

"Precisamos também do empenho dos amazonenses e também de quem escolheu morar e viver no nosso estado, porque apenas um pequeno foco de incêndio pode causar um transtorno muito grande para nossa população", disse Cidade.

Nem todos aceitam a versão do governador. O ambientalista e professor Welton Oda cobra transparência sobre o uso dos R$ 45 milhões do Fundo Amazônia destinados ao Corpo de Bombeiros do estado. "Ele precisa dar transparência a essa questão", afirma Oda.

A verba do Fundo Amazônia já estava destinada ao estado quando os bombeiros disseram que o pedido de ajuda tinha sido negado. "Um governador que honra seus compromissos não deve terceirizar seus problemas, deve demonstrar capacidade e força para resolvê-los", completa o ambientalista.

O que acontece agora

As equipes seguem atuando nos vinte focos ainda ativos, sob coordenação do Ciman Federal, centro que integra os órgãos federais na resposta ao fogo. A reunião de sábado também levou o ministro Waldez Góes e o presidente do Ibama, Jair Schmitt, a Manaus.

A seca no Norte também tem efeito fora da floresta: a queda no nível dos rios pode encarecer o frete em contêiner em até 150%, segundo reportagem publicada em setembro.