Celina Leão (PP) e Leandro Grass (PT) registraram no Tribunal Superior Eleitoral os planos de governo para o 2º turno no Distrito Federal, marcado para 25 de outubro. Os dois divergem sobre como enfrentar a crise do banco estatal BRB.

No registro oficial, enviado ao TSE, os dois candidatos defendem o BRB como patrimônio público e instrumento de fomento para o Distrito Federal.

O que os dois planos propõem para o BRB?

Os dois candidatos defendem o BRB como patrimônio público, mas divergem na forma de lidar com a crise do banco. Celina evita o tema no documento oficial; Grass propõe auditoria e renegociação do socorro financeiro.

Celina não cita diretamente a crise do banco, a maior da história da instituição. Ela propõe aprimorar as plataformas digitais e ampliar o microcrédito.

"A atuação do BRB será fortalecida para ampliar o acesso ao crédito, financiar projetos estratégicos e de infraestrutura, impulsionar a inovação e ampliar as oportunidades econômicas em todas as Regiões Administrativas", diz o plano de Celina.

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Grass, ao contrário, coloca a crise no centro do debate. Ele promete uma auditoria completa do BRB e a renegociação do socorro financeiro à instituição.

O rombo no BRB vem da compra de créditos fraudados do Banco Master, liquidado pelo Banco Central. As perdas estimadas por autoridades superam R$ 5 bilhões, mais que o patrimônio do banco, de R$ 4,9 bilhões em 2025.

Celina articula um empréstimo de até R$ 6,6 bilhões da União para o BRB. O governo federal diz que não pode dar garantia, mas o DF insiste no pedido. Ela também diz negociar com bancos árabes, tratativa que não consta no plano registrado no TSE.

A Polícia Federal já identificou fraude na compra de créditos do Master pelo BRB, que soma quatro processos abertos na Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

O banco também já afastou cinco funcionários suspeitos de fraude. O resultado da eleição vai decidir quem assume o rombo bilionário do BRB a partir de janeiro.

Transporte e assistência social: o que muda?

Nos dois temas, os planos coincidem nas metas gerais, como tarifa zero no transporte público e expansão da rede de acolhimento na assistência social, mas cada candidato detalha o compromisso de um jeito diferente.

Grass quer levar o metrô até a Asa Norte e destravar o VLT da W3 e do Eixo Aeroporto. Celina aposta na linha 2 do metrô, em direção ao Gama, e na construção do Anel Viário para desafogar a EPIG e o centro de Brasília.

Na assistência social, Grass promete recompor as equipes do SUAS por concurso e integrar o Cadastro Social Único aos programas de renda. Celina promete prioridade para mães solo nas creches e quer transformar o Centro Pop na plataforma Na Hora Social.

Celina chega ao 2º turno favorita nas pesquisas.

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O instituto Datafolha, contratado por Globo e Folha de S.Paulo, ouviu 910 eleitores entre 6 e 8 de outubro (margem de erro de 3 pontos, 95% de confiança, registro TSE DF-03365/2026).

O levantamento indicou 55% dos votos válidos para a vice-governadora, contra 37% de Grass.

O que acontece agora

Os eleitores do Distrito Federal voltam às urnas em 25 de outubro para decidir o 2º turno entre Celina Leão e Leandro Grass.

A disputa decide quem governa o DF pelos próximos quatro anos.