O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) elevou, em relatório divulgado nesta sexta-feira (9), a projeção de exportação de algodão do Brasil na safra 2026/27 para 3,484 milhões de toneladas, volume recorde e 3,3% maior que o da safra anterior.

A produção também deve crescer, para 4,137 milhões de toneladas, alta de 1,3%. Com isso, a fatia do Brasil no comércio mundial do algodão sobe para 35,8%, ante 33,8% na safra anterior.

Os números do USDA ajudam a explicar por que o Brasil ganha espaço mesmo sem disparar a produção: a oferta mundial do algodão está encolhendo.

A produção global deve cair 3,4%, para 25,681 milhões de toneladas, enquanto o consumo mundial sobe 1,9%. A relação entre estoque e consumo caiu para 57,4%, a menor desde a safra 2010/11.

Cerca de 84% de toda a produção brasileira é destinada à exportação. O consumo interno deve somar 740 mil toneladas, alta de 1,5% sobre o ciclo anterior, enquanto os estoques finais do país devem cair 11%, para 699 mil toneladas.

Como o Brasil virou o maior exportador do mundo?

O avanço se soma ao recorde já traçado ao longo do ciclo 2025/26: o país exportou 3,37 milhões de toneladas de algodão entre agosto de 2025 e julho de 2026, alta de 19% sobre o ano anterior.

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Segundo a Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (ABRAPA), o resultado já havia colocado o país como 1º exportador mundial do produto.

A produção é puxada principalmente por Mato Grosso, maior produtor do país, e pela Bahia. A China foi o principal destino da pluma brasileira no ciclo passado, com 770,5 mil toneladas compradas, seguida por Bangladesh, Turquia, Paquistão, Vietnã e Índia.

O preço também virou vento a favor do produtor: a saca subiu 9,7% em Nova York em setembro, depois de sair do piso histórico atingido em agosto.

Como fica a produção dos Estados Unidos, maior rival do Brasil?

Os Estados Unidos, segundo maior exportador do mundo, devem produzir 13,44 milhões de fardos na safra, alta de 2%, com produtividade de 790 libras por acre. Mesmo assim, a fatia americana no comércio global recua para 27,5%.

Os estoques finais dos EUA devem subir 6%, para 3,80 milhões de fardos. O preço do algodão upland americano cai 1 centavo de dólar, para 77 centavos por libra.