A ex-prefeita de Santos Telma de Souza (PT) morreu aos 82 anos na noite deste sábado (10), internada havia dias no Hospital Mont Serrat. Ela foi a única mulher eleita para governar a cidade, entre 1989 e 1992, e uma das fundadoras do PT.

A morte ocorreu por volta das 20h30, na UTI do hospital, por falência múltipla de órgãos. Telma havia sofrido uma parada cardiorrespiratória na quarta-feira (7), depois de internação por AVC e infecção urinária.

A morte foi confirmada por Fernando Alberto Júnior, presidente do instituto que leva o nome da ex-prefeita. Ela já havia se recuperado de um AVC isquêmico sofrido um ano antes, e desde então reduzira a participação em eventos públicos.

A notícia da morte gerou homenagens de aliados e adversários políticos.

Em rede social, o ex-ministro José Dirceu, aliado histórico de Telma no PT, lamentou a morte.

O dia termina com tristeza: minha companheira de lutas e amiga Telma de Souza, vereadora, ex-prefeita de sua amada cidade Santos, deputada estadual e federal, sempre militante e dirigente petista, faleceu hoje.

O atual prefeito de Santos, Rogério Santos, também prestou homenagem, mesmo sendo de partido diferente. "Ela em um partido, eu em outro, mas sempre com muito respeito, como deve prevalecer na política, afinal, o interesse era único: o bem de Santos", escreveu.

Os dois lados políticos destacaram o mesmo traço. Quatro décadas de mandatos entre Legislativo e Executivo deixaram Telma como uma das poucas lideranças santistas respeitadas por adversários declarados.

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A gestão que virou referência nacional

Telma governou Santos entre 1989 e 1992 e deixou duas marcas na saúde pública. Criou o primeiro centro de referência em Aids do país e conduziu uma intervenção na saúde mental que se tornou modelo para a reforma psiquiátrica brasileira.

Encerrou o mandato com 97% de aprovação, recorde que a tornou referência de gestão municipal entre prefeitos do país.

Nascida em Santos em 1944, Telma formou-se pedagoga, professora e advogada antes de entrar na política pelo movimento sindical dos professores e pela redemocratização. Foi uma das fundadoras do PT em 1980 e, antes de ser prefeita, já havia sido vereadora e deputada estadual.

Depois da prefeitura, foi deputada federal por três mandatos, entre 1995 e 2007, e voltou à Câmara de Santos como vereadora entre 2017 e 2024, encerrando mais de quatro décadas de mandatos eletivos.

O que acontece agora

O velório está previsto no Palácio José Bonifácio, sede da Prefeitura de Santos, mas o horário ainda não havia sido confirmado até a publicação desta reportagem.

O instituto que leva o nome de Telma, presidido por Fernando Alberto Júnior, deve divulgar os detalhes da despedida nas próximas horas.