O músico baiano Tom Zé completa 90 anos neste domingo (11), data de seu nascimento em Irará, na Bahia, em 1936. A Caixa Cultural de São Paulo marcou a data com a exposição gratuita "Tom Zé: 90 Anos do Inquieto Jardineiro de Sons".
A mostra, com curadoria de Neuseli Martins, fica em cartaz até 13 de dezembro e reúne referências musicais e literárias do repertório de Tom Zé, registros de apresentações e um quiz sobre a carreira.
O destaque é o buzinório, instrumento de percussão criado pelo próprio artista, cuja réplica pode ser tocada pelo público.
"Não é uma exposição só para olhar, mas para viver também. Você tem vários ambientes que remetem a momentos da vida do Tom Zé", diz a curadora Neuseli Martins.
A trajetória que virou exposição
Tom Zé estreou em 1968 com o LP "Grande Liquidação", que usava a sonoridade da Jovem Guarda e do rock para ironizar consumo e modernização. Em 1970, o disco "Jimmy, Renda-se" levou a crítica para dentro da própria forma musical, com arranjos propositalmente incompletos.
O LP de 1972, relançado em 1984 como "Se o Caso É Chorar", é considerado um dos discos mais radicais da música brasileira. Na autobiografia "Tropicalista Lenta Luta" (2003), o músico credita a formação desse estilo às primeiras apresentações em Irará.
Mais de 50 anos depois do primeiro disco, a obra de Tom Zé ainda desafia os critérios do que a indústria chama de bom gosto.
A data reacende a memória do movimento tropicalista, do qual Tom Zé fez parte ao lado de nomes como Caetano Veloso, que completou 84 anos em agosto.
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A efeméride também segue uma safra de homenagens a veteranos da MPB, caso do violonista João Bosco, que completou 80 anos em julho, e do recente reencontro de Maria Bethânia e Paulinho da Viola no palco.
Dois dias antes do aniversário, Tom Zé fez show com ingressos esgotados no Circo Voador, no Rio de Janeiro. A apresentação marcou o lançamento do álbum "Relicário: Tom Zé Ao Vivo no Sesc 1996", gravação de quase três décadas atrás.
Ao longo deste ano, Tom Zé tem resumido a relação com a idade em entrevistas. "Não sou senhor de coisa nenhuma", disse, pedindo para ser tratado por "você".
Sobre o impulso criativo, o compositor afirmou: "Esse vício de correr atrás da invenção permanece. Uma notícia ouvida hoje pode despertar notas musicais."
"Não tenho queixa, nenhuma queixa, sobre o que consegui e o que estou fazendo", resume o músico, hoje embalado pela mostra em São Paulo e por uma agenda de shows que segue ativa aos 90 anos.





























