O Observatório Vera C. Rubin, no Chile, apresentou indícios daquele que pode ser o mais novo planeta-anão do Sistema Solar, a cerca de 7,1 bilhões de quilômetros do Sol. O objeto recebeu a designação provisória 2026 ED138, o maior já achado pelo telescópio.
O anúncio foi feito pelo cientista-chefe do sistema solar no Observatório Rubin, Mario Jurić, em coletiva de imprensa na terça-feira (27 de outubro), durante reunião da divisão de ciências planetárias da União Astronômica Internacional (UAI), em Spokane, nos Estados Unidos.
"Esperamos que essa seja apenas a primeira de muitas descobertas", disse Jurić.
Planeta-anão é a categoria criada pela UAI em 2006, quando Plutão perdeu o status de planeta. Ela descreve corpos grandes o suficiente para serem arredondados, mas sem domínio gravitacional sobre outros objetos de sua órbita.
O Observatório Rubin, operado pela Fundação Nacional de Ciências e pelo Departamento de Energia dos Estados Unidos, varre repetidamente o céu noturno do topo de uma montanha no Chile.
Segundo Jurić, o telescópio já descobriu cerca de 2.300 objetos além de Plutão, aumento de 50% na população conhecida desse tipo de corpo.
Como o objeto foi identificado
Em cada imagem isolada do telescópio, o ED138 aparecia como uma simples estrela brilhante. Só um software percebeu que um dos pontos luminosos mudava de posição entre imagens de noites diferentes.
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O programa foi desenvolvido pelo astrofísico Matthew Holman, do Centro de Astrofísica de Cambridge, e por seu colega Kevin Napier. "Na verdade, ele é brilhante o suficiente para que astrônomos amadores muito experientes consigam encontrá-lo com seus equipamentos", disse Holman.
A descoberta não é, por si só, argumento a favor ou contra o hipotético Planeta Nove, corpo entre o tamanho da Terra e o de Netuno que, para alguns astrônomos, existiria ainda mais longe, sem confirmação.
"Mas é uma prova de que temos capacidade para encontrar coisas e de que ainda há coisas incríveis a serem descobertas", afirmou Holman.
Mesmo que se conclua que o Planeta Nove não existe, segundo ele, "é perfeitamente possível que haja por aí um objeto do tamanho de Marte, ou maior, que simplesmente ainda não tenha sido encontrado".
O Rubin não é o único instrumento batendo recordes neste ano. A Nasa lançou em agosto o telescópio Nancy Grace Roman, com campo de visão 100 vezes maior que o do Hubble, ampliando a capacidade de mapear o céu.
O achado soma-se a outros corpos do Sistema Solar que intrigam os cientistas, como as luas Io, Europa e Titã, alvo de missões específicas da Nasa.
O ponto em aberto
A existência do Planeta Nove segue sem confirmação, e o ED138 não muda isso sozinho.
O que muda é o ritmo: o catálogo de objetos além de Plutão cresceu 50% em pouco tempo. A pergunta deixou de ser se o Rubin vai achar algo novo, e passou a ser quantos achados como este ainda esperam análise nas imagens já registradas.































