A SpaceX comprou espectro de 800 MHz nos Estados Unidos e avança para virar operadora de telefonia móvel, movimento que derrubou ações de teles nos Estados Unidos e na Europa. O Itaú BBA avalia risco de longo prazo para as brasileiras Vivo e TIM.

Segundo a SBT News, as ações da T-Mobile, da AT&T e da Verizon recuaram entre 6,6% e 7,6% na sexta-feira (9 de outubro) e no sábado (10 de outubro), depois do anúncio. Na Europa, a Deutsche Telekom caiu 6,65% e a Vodafone, 4,22%.

O índice Stoxx Europe 600 de Telecomunicações cedeu 3,3% no mesmo período, e a reportagem do BlockTrends estima destruição combinada de US$ 30 bilhões em valor de mercado entre as operadoras afetadas.

A Agência Federal de Comunicações (FCC) dos Estados Unidos autorizou a operação de 15 mil satélites de conexão direta a celulares (D2D), e a SpaceX negocia acesso a 80 mil pontos de infraestrutura terrestre no país.

O objetivo declarado pela empresa é transformar a Starlink Mobile na quarta grande operadora móvel de alcance nacional dos Estados Unidos.

O que isso significa para o Brasil?

O Brasil está entre os três maiores mercados globais da Starlink, segundo o banco suíço UBS. Em relatório, a UBS diz ter encontrado evidências de que a SpaceX já estuda oferecer conectividade móvel no país por meio de satélites e de espectro próprio.

Vivo, Claro e TIM dominam o mercado brasileiro e têm, segundo o BlockTrends, estruturas de custo que as deixam mais expostas à concorrência da Starlink Mobile.

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A liberação de espectro da Starlink pela Anatel já havia derrubado as ações de TIM e Vivo no início do mês. Em tese, a SpaceX ainda poderia comprar espectro terrestre direto da Anatel para repetir o modelo americano por aqui.

A ameaça segue no campo das evidências indiretas, mas já é grande o bastante para render relatório de banco e resposta das próprias operadoras.

Na segunda-feira (26 de outubro), a própria Vivo lançou comercialmente o Vivo Satélite, em parceria com a Starlink, e se tornou a primeira operadora a oferecer no país conexão direta entre satélite e celular com espectro próprio, dentro do ambiente regulatório experimental da Anatel.

Para o Itaú BBA, a ameaça às brasileiras é de longo prazo, e não imediata. O banco chama o cenário de "risco de cauda" e mantém a TIM como preferência pelo perfil defensivo da operadora.

A estimativa do banco é de dividend yield de 13% para a TIM e 10% para a Vivo em 2027.

O que acontece agora

A aprovação final do plano da Starlink nos Estados Unidos ainda depende da FCC. O analista Stéphane Beyazian, do ODDO BHF, espera que a empresa de Elon Musk seja concorrente relevante no leilão de espectro para satélites que a agência prevê para 2027.

Segundo o BlockTrends, não há até agora confirmação oficial de um pedido da SpaceX à Anatel por espectro terrestre no Brasil.

A barra mostra a força do recuo em cada operadora: quanto mais perto do topo, mais o mercado precificou o risco da Starlink Mobile como operadora de celular.