Astrônomos usando o telescópio espacial Chandra, da Nasa, descobriram uma nova classe de objetos cósmicos batizada de fontes de raios X hipersuaves. Foram identificados 84 objetos em seis galáxias, a partir de dados que já estavam públicos havia quase duas décadas.
O estudo, publicado na revista Nature Astronomy, usou observações feitas pelo Chandra entre 1999 e 2017. O padrão ficou oculto nos arquivos por até 25 anos antes de alguém notar.
O que são as fontes de raios X hipersuaves?
São objetos que emitem raios X de energia muito baixa e, ao mesmo tempo, níveis intensos de radiação ultravioleta. Eles aparecem nas imagens de menor energia captadas pelo Chandra e somem nas de energia mais alta, o que os tornava quase invisíveis.
Duas das seis galáxias observadas têm nome: M31, a galáxia de Andrômeda, e M101, a galáxia do Redemoinho. As outras quatro são elípticas.
Por que a descoberta intriga os cientistas?
A descoberta intriga porque pode resolver dois mistérios da astrofísica ao mesmo tempo. O primeiro é encontrar os precursores das supernovas tipo Ia, explosões usadas para medir a expansão do universo e que os astrônomos procuram identificar há décadas.
O segundo mistério é descobrir o que ioniza o gás entre as galáxias. Cientistas cogitam três hipóteses: sistemas de anãs brancas prestes a explodir, estrelas triplas com dois buracos negros, ou anãs brancas já colapsadas e mais frias.
Nunca encontramos um grupo de objetos que age desse jeito. O próximo passo, claro, foi tentar descobrir o que essas coisas são
afirma Muhibullah, da Universidade do Alabama, que liderou o estudo.
Jimmy Irwin, professor da mesma universidade e coautor do estudo, destaca o valor prático da descoberta. "Se conseguíssemos encontrar uma forma de identificar essas explosões de supernova tipo Ia antes que aconteçam, isso seria muito importante", diz.
Rosanne Di Stefano, do Center for Astrophysics de Harvard e do Smithsonian, resume o método: vasculhar arquivos antigos eliminou um ponto cego que os telescópios tinham havia décadas.
Com a descoberta, os pesquisadores já ampliaram a busca a mais quatro galáxias e encontraram outras fontes semelhantes, elevando o total a 145 objetos identificados até agora.
O Chandra não é o único a intrigar astrônomos este ano: o Hubble também flagrou uma galáxia fora de sincronia a 55 milhões de anos-luz.
Outro caso recente envolveu uma estrela que bateu recorde ao orbitar um buraco negro da Via Láctea a 8% da velocidade da luz.
O Brasil também tem papel crescente na astronomia internacional: pesquisadores brasileiros criaram um sistema de IA para um novo telescópio da Nasa.
Qual hipótese vai se confirmar?
Os astrônomos já ampliaram a amostra para 145 objetos, mas ainda não confirmaram qual hipótese explica a maioria dos casos: anãs brancas explosivas, estrelas triplas ou remanescentes colapsados.
É essa confirmação que vai dizer se a descoberta resolve os dois mistérios de uma vez, ou cada um por um caminho diferente.





























