O gesto do "L", símbolo da campanha de Lula, virou símbolo internacional da esquerda depois da vitória do petista sobre Flávio Bolsonaro no 2º turno, no domingo (25 de outubro). Claudia Sheinbaum e Jean-Luc Mélenchon já o repetiram em público.

A presidente do México, Claudia Sheinbaum, fez o gesto em coletiva de imprensa e enviou recado a Trump e ao que chamou de imperialismo americano.

"É um sopro de ar fresco para a América Latina e o Caribe", disse Sheinbaum.

O francês Jean-Luc Mélenchon declarou apoio à reeleição de Lula em post no sábado (24 de outubro), antes da apuração, e publicou depois a frase "Viva Lula, viva o Brasil digno".

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Em Móstoles, na Espanha, um manifestante do grupo Frente Amplio repetiu o gesto em protesto, em meio à campanha do premiê Pedro Sánchez contra o avanço da direita. Para a esquerda, o resultado interrompe cinco vitórias seguidas da direita na América Latina.

Nem todos os vizinhos aderiram: a Argentina de Javier Milei foi a única da América do Sul a não parabenizar Lula.

A vitória também projetou a estratégia digital do deputado André Janones (Rede-MG), que já havia inspirado grupos semelhantes na França, na Espanha e na Argentina, segundo o jornal espanhol El País.

Do lado oposto, aliados de Trump usam o resultado do Brasil para questionar a segurança eleitoral americana, a uma semana das midterms nos EUA. Trump já insinuou fraude na eleição brasileira sem provas, e aliados repetem o argumento contra o pleito americano.

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No Brasil, o resultado reacende disputas na própria direita derrotada. O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, criticou a carta em que Flávio questionou o resultado da eleição e disse que "não gostei" do texto do senador.

O que acontece agora

A repercussão diplomática ganha capítulo novo nesta sexta (30) e neste sábado (31), quando o chanceler brasileiro, Mauro Vieira, participa da reunião de chanceleres do G20 em Atlanta, primeiro encontro entre autoridades dos dois países desde a reeleição de Lula.

O episódio reforça que a eleição brasileira passou a ser lida como um termômetro da disputa global entre esquerda e direita, dentro e fora do continente. Macron, Modi e outros líderes mundiais já haviam parabenizado Lula nos dias seguintes à votação.