A China anunciou nesta segunda-feira (19) um reforço nos controles sobre exportação de drones com potencial uso militar. A partir de 18 de novembro, motores, sensores e outros equipamentos de uso duplo vão exigir autorização prévia do governo chinês, segundo o Ministério do Comércio.

A medida busca cumprir o compromisso da China com a não proliferação de armas, segundo o Ministério do Comércio. Quem exportar ou revender os equipamentos sem autorização enfrentará sanções, conforme a legislação chinesa vigente.

A norma é mais ampla que a anunciada em 5 de agosto, restrita a remessas para os Estados Unidos em resposta a sanções comerciais de Washington. Desta vez, o controle vale para qualquer destino.

O anúncio foi publicado pelo Ministério do Comércio, pela Administração-Geral de Alfândegas e pelo Departamento de Desenvolvimento de Equipamentos da Comissão Militar Central como o Anúncio nº 49/2026. O texto afirma que empresas com bom histórico de exportação podem pedir licenças facilitadas.

Por que isso interessa ao Brasil?

O Brasil é um dos maiores compradores de drones chineses do mundo. Em agosto, 13.224 drones agrícolas estavam cadastrados no Sistema de Aeronaves Não Tripuladas (Sisant), e 93% eram das chinesas DJI e XAG, segundo o Brasil de Fato.

O setor deve movimentar mais de R$ 2 bilhões no Brasil em 2026, com 11 mil novos drones agrícolas ativados no ano, alta de 38% sobre 2025. Os equipamentos pulverizam e monitoram lavouras, e começam a ser usados no transporte de insumos.

Qualquer atraso na cadeia de peças chinesas pode elevar custos para quem já investiu no equipamento no Brasil.

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O uso chinês vai além do agro. O Exército Brasileiro formalizou em abril, pela Portaria nº 2.660/2026, a adoção do DJI Matrice 300 RTK como veículo aéreo não tripulado padrão da Força Terrestre.

A decisão ocorreu na mesma época em que países ocidentais passaram a tratar a fabricante como risco de espionagem a serviço de Pequim, e enquanto os EUA reforçam o envio de soldados e drones militares à América Latina.

Não é a primeira vez que a China usa controle de exportação como ferramenta comercial neste mês. Um dia antes, o país já havia restringido a exportação de tecnologia solar de ponta a outros países.

O que acontece agora

A partir de 18 de novembro, as novas regras entram em vigor na China, e exportadores de drones de uso duplo passam a precisar de autorização prévia do governo chinês para despachar motores, sensores e demais componentes sensíveis.

Analistas do setor apontam efeitos possíveis sobre mercados como o brasileiro, entre eles o redirecionamento de estoque da DJI para praças em expansão e o atraso global na reposição de peças e baterias.

Também apontam o uso do controle de exportação como instrumento geopolítico, o que pode influenciar a regulação de drones na agricultura brasileira adiante.