O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avalia que os Estados Unidos estão isolados ao não reconhecer sua vitória no 2º turno, no domingo (25 de outubro). Lula teve 64 milhões de votos contra 59,8 milhões de Flávio Bolsonaro (PL).
Entre os vizinhos sul-americanos, só a Argentina de Javier Milei também evitou parabenizá-lo.
O resultado foi reconhecido por lideranças internacionais, por partidos brasileiros (inclusive o próprio PL, legenda de Flávio) e por representantes do Legislativo e do Judiciário no país.
Javier Milei foi o único chefe de Estado da América do Sul a não cumprimentar Lula. Líderes de direita da região, como o colombiano Abelardo de la Espriella, o paraguaio Santiago Peña, o chileno José Antonio Kast e o equatoriano Daniel Noboa, parabenizaram o petista.
O governo argentino afirma que "tomou nota" da vitória, mas optou por não parabenizar Lula oficialmente. A justificativa é que o petista não cumprimentou Milei pessoalmente quando o argentino venceu a eleição, em 2023.
Trump reforçou a desconfiança em comício no Texas, na terça-feira (27 de outubro), pela segunda vez em dois dias.
Eles são os maiores fraudadores de eleições na história, acho. Se bem que o Brasil também fez um ótimo trabalho, não é? Não foi legal.
Celso Amorim, assessor de Lula para assuntos internacionais, rebateu a declaração e disse que Trump está mal informado sobre o processo eleitoral brasileiro.
"Quem tentou fraudar a eleição foi a Meta, atrapalhando e restringindo nossas postagens. Só se ele estiver se referindo à Meta", declarou Amorim ao G1.
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Mesmo dentro da campanha derrotada, a acusação de fraude não é unânime. Rogério Marinho é coordenador da candidatura de Flávio e líder da oposição no Senado.
Ele afirmou que "nem o PL podemos afirmar que houve fraude eleitoral" e tratou a carta do senador como um possível desabafo.
Flávio deixou o Brasil na noite de terça-feira (27 de outubro), horas depois de a Polícia Federal cancelar seus passaportes por descumprir a ordem do ministro Alexandre de Moraes, do STF. Ele desembarcou na Flórida e se reuniu com o irmão Eduardo Bolsonaro.
Já em território americano, Flávio publicou uma carta em que se declarava "o verdadeiro presidente eleito do Brasil". Minutos depois, ele recuou.
A nova versão do texto, divulgada em seguida e sem o trecho, o apresentava apenas como "líder do Brasil". O documento reúne acusações de fraude no processo eleitoral brasileiro sem apresentar provas.
O Planalto avalia estar mais fortalecido neste momento do que durante a crise do tarifaço do ano passado, desencadeada pelo julgamento de Jair Bolsonaro por participação na trama golpista.
Eduardo Bolsonaro, então deputado federal e depois cassado, se articulou com o governo americano para estimular retaliações ao Brasil naquela crise.
O que acontece agora
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, participa nesta sexta (30) e neste sábado (31) da reunião de chanceleres do G20, em Atlanta, no primeiro encontro de autoridades brasileiras e americanas desde a reeleição de Lula.
Não há reunião bilateral confirmada com o secretário de Estado Marco Rubio, mas conversas informais são esperadas ao longo do evento.
O encontro também prepara a declaração final a ser assinada pelos países em dezembro, na Cúpula de Líderes do G20. É o primeiro encontro entre as diplomacias dos dois países desde a fuga de Flávio e a reeleição de Lula.































