Quatro novos grupos de hackers usaram agentes de inteligência artificial para invadir órgãos do governo brasileiro entre maio e agosto deste ano, com operações quase sem intervenção humana, segundo relatório da empresa de cibersegurança CrowdStrike divulgado nesta sexta-feira (30 de outubro).

O relatório descreve duas estruturas de automação usadas pelos invasores. Na primeira, o reconhecimento segue um roteiro fixo, e a inteligência artificial escolhe a próxima ação entre opções predefinidas.

Na segunda, mais autônoma, o agente atua sozinho seguindo um procedimento detalhado, ou distribui tarefas entre vários agentes especializados ao mesmo tempo.

Ilustração de celular exibindo aplicativo de inteligência artificial

Segundo a telemetria da CrowdStrike, o segundo semestre de 2026 já registrou três vezes mais intrusões com agentes de IA do que todo o primeiro semestre do ano.

Além do Brasil, as operações identificadas atingiram órgãos governamentais da Colômbia e empresas brasileiras e americanas de seis setores: biotecnologia, saúde, alimentos e bebidas, varejo, tecnologia e turismo.

Os casos mostram que agentes de IA já permitem que grupos com diferentes níveis de habilidade conduzam intrusões em velocidade de máquina.

A avaliação é de Jeferson Propheta, vice-presidente da CrowdStrike para a América do Sul.

O alerta reforça que a defesa cibernética não compete mais só com humanos do outro lado: compete também com máquinas que decidem sozinhas o próximo passo do ataque.

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A tendência já havia sido prevista por Bill Gates, que alertou para uma onda de ciberataques com IA sem controle. No Brasil, o risco já apareceu de outras formas: em outubro, uma falha crítica no PHP derrubou sites de governo e tribunais.

O tempo de reação também virou um problema à parte. Um levantamento anterior já apontava que o tempo médio de um ataque cibernético havia caído para 22 segundos.

O que acontece agora

A CrowdStrike não detalhou quais órgãos brasileiros foram alvo nem se houve vazamento de dados confirmado. Até a publicação, nenhum órgão do governo brasileiro havia se pronunciado sobre o relatório.