Quatro petroleiros pegaram fogo e ficaram incapacitados na quinta-feira (29 de outubro) após atingirem minas no Estreito de Ormuz, segundo o Irã. O petróleo Brent subiu a mais de US$ 117 o barril, e o Brasil corre para segurar o preço dos combustíveis.

"Três embarcações explodiram e incendiaram-se após atingirem minas enquanto tentavam transitar pela rota não autorizada a sul do estreito", afirmou a Guarda Revolucionária do Irã. Um quarto petroleiro foi atingido a leste, numa área que o Exército iraniano classificou como restrita e perigosa.

O Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) havia dito um dia antes, nas redes sociais, que as rotas da região estavam limpas e seguras e que todas as minas tinham sido removidas. A versão americana contradiz diretamente o relato iraniano.

A guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã está no oitavo mês, depois que, em outubro, outros dois navios já haviam afundado perto do estreito. Com o novo incidente, o Brent caminha para o quarto ganho mensal consecutivo.

O que muda no preço do combustível no Brasil

Com o barril acima de US$ 116, o governo brasileiro discute prorrogar por mais 30 dias a subvenção ao diesel, que vencia em 25 de outubro, para segurar o repasse imediato à bomba. A Petrobras já reajustou o querosene de aviação em 11,76% neste mês.

Ninguém imaginou que nós íamos ter um final de outubro com o barril a US$ 116.

Disse a presidente da Petrobras, Magda Chambriard.

Uma pessoa próxima à Petrobras indicou que o combustível vendido às distribuidoras deve subir 7,32% em novembro, depois do reajuste de outubro. A estatal não confirmou o percentual e disse que vai anunciar o novo valor em 1º de novembro.

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Em outubro, o impasse em Ormuz já havia custado R$ 14 bilhões ao governo brasileiro, pelo efeito em cascata sobre combustíveis e inflação.

A alta do petróleo ameaça repassar pressão para a inflação justamente quando o Banco Central avalia se pode cortar os juros. O CNI já havia reduzido a projeção de crescimento do PIB de 2026 de 2% para 1,6%, citando o cenário externo mais apertado.

O que acontece agora

A Petrobras confirmou que vai anunciar o novo reajuste às distribuidoras no domingo (1º de novembro). O governo decide nos próximos dias se estende a subvenção ao diesel, que já estava perto de bater o teto do subsídio.