A Assembleia Geral da ONU aprovou, na quarta-feira (28 de outubro), a 34ª resolução contra o embargo dos EUA a Cuba, com o voto favorável do Brasil. Foram 130 votos a favor, 17 contra e 25 abstenções, a pior adesão em 20 anos.

A votação ocorreu em meio à ofensiva diplomática dos EUA contra o texto, segundo a Agência Brasil. Em 2025, a mesma resolução teve 165 votos a favor, 7 contra e 12 abstenções: uma queda de 35 votos favoráveis em um único ano.

O resultado mostra que a pressão de Washington vem corroendo, ano após ano, a base histórica de apoio internacional ao fim do embargo. O texto também marcou a 34ª vez que a Assembleia vota a resolução desde 1992. O embargo segue em vigor.

"Os efeitos extraterritoriais da legislação nacional dos Estados Unidos sobre a soberania de terceiros Estados e os interesses legítimos de seus cidadãos e empresas", criticou o representante do Brasil na ONU, Sergio Danese, durante a sessão.

O voto favorável restabelece o padrão histórico do Brasil na resolução. O país apoiou o fim do bloqueio na maioria dos anos, mas rompeu a sequência no governo de Jair Bolsonaro: votou contra em 2019 e se absteve em 2021 e 2022.

Como a América Latina se dividiu no voto

A América Latina votou dividida. Cinco países rejeitaram a resolução ao lado dos Estados Unidos: Argentina, Colômbia, Paraguai, Equador e Costa Rica, todos com governos hoje alinhados ao presidente Donald Trump, caso do argentino Javier Milei, que também recusou parabenizar a reeleição de Lula.

Brasil, México, Uruguai, Nicarágua e Panamá fecharam com os votos a favor. Chile, República Dominicana, Honduras e Peru se abstiveram.

Publicidade

O que dizem Cuba e os Estados Unidos

Cuba comemorou o resultado como vitória diplomática, mesmo com a queda no apoio. "O que Cuba exige é ser deixada em paz. Cuba não é uma ameaça, o bloqueio é", disse o chanceler cubano, Bruno Rodríguez Parrilla, durante o debate na Assembleia.

Os Estados Unidos rebateram pela voz do representante Mike Waltz, que resumiu a posição americana em três palavras: "Não há bloqueio". Segundo Waltz, os problemas econômicos cubanos derivam do próprio governo da ilha, não das sanções americanas.

Em nota à imprensa no Brasil, o embaixador cubano Victor Manuel Cairo Palomo citou dados do próprio governo de Cuba: mais de 1.500 crianças mortas por falta de remédios e combustível.

A mortalidade infantil na ilha dobrou de 4,4 para 9,9 por mil nascimentos entre 2025 e 2026, segundo o mesmo levantamento cubano.

O aperto americano se intensificou neste ano. O secretário de Estado, Marco Rubio, ampliou as sanções a tecnologias sensíveis e pediu a prisão do ex-presidente cubano Raúl Castro, segundo a Agência Brasil.

A inflação em Cuba subiu 25% em comparação com 2025, em meio a apagões e escassez de energia e combustível na ilha.

A resolução da ONU não é vinculante: tem caráter de recomendação e não obriga os Estados Unidos a suspender as sanções. O embargo, em vigor desde 1962, segue decidido pelo Congresso americano.

O resultado chega em meio à mesma tensão em que Trump chamou a reeleição de Lula de "desgraça". A Assembleia Geral deve votar o texto de novo em outubro de 2027.