A Dívida Pública Federal (DPF) fechou setembro em R$ 9,382 trilhões, segundo o Relatório Mensal da Dívida divulgado nesta quinta-feira (29 de outubro) pelo Tesouro Nacional. É alta de 0,97% em relação a agosto, puxada principalmente pelo juro sobre a dívida que já existia.
No acumulado de 2026, o crescimento já chega a R$ 747,9 bilhões, ou 8,7%. Em 2025, todo o estoque da dívida somava R$ 8,6 trilhões.
A trajetória vem subindo mês a mês: em abril, a DPF estava perto de R$ 8,7 trilhões; em agosto, bateu R$ 9,29 trilhões, com a fatia ligada à Selic em recorde.
Por que a dívida sobe mesmo sem o governo gastar mais
A alta de setembro não veio de novos gastos: as emissões de títulos (R$ 189,44 bilhões) ficaram praticamente empatadas com os resgates (R$ 188,67 bilhões), resultando em emissão líquida de apenas R$ 760 milhões.
O que pesou foi o juro sobre o estoque já existente: o Tesouro apropriou R$ 89,46 bilhões em juros no mês.
É o preço de carregar uma dívida cara: quanto maior a Selic, mais a conta cresce sozinha, mesmo sem um real de déficit novo.
O custo médio do estoque da dívida, acumulado em 12 meses, subiu de 12,59% para 12,63% ao ano. Quase metade da DPF está atrelada à Selic, hoje em 13,75% ao ano.
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Quem seguraria essa conta se tivesse que pagar agora
19,95% da dívida vence nos próximos 12 meses — o equivalente a R$ 1,87 trilhão em compromissos de curto prazo, contra 16,39% em agosto. O prazo médio total da dívida segue em 4,10 anos.
Essa concentração de vencimentos de curto prazo torna o Brasil mais dependente do humor do mercado: quanto mais dívida vence logo, mais vezes por ano o Tesouro precisa voltar a pedir dinheiro emprestado.
Do lado de quem financia essa dívida, os investidores estrangeiros que vinham apostando no Brasil reduziram posições em R$ 20,76 bilhões em setembro. A fatia de não residentes caiu de 9,91% para 9,58% do total.
Quem comprou mais títulos no mês foram os fundos de investimento (R$ 57,95 bilhões a mais) e as instituições financeiras brasileiras (R$ 39,09 bilhões a mais), maiores detentoras do estoque, com 31,33%.
Para enfrentar os vencimentos de curto prazo sem depender de vender títulos a qualquer taxa, o Tesouro mantém uma reserva de liquidez: o chamado colchão da dívida.
Ela cresceu 5,33% em setembro, para R$ 1,27 trilhão, o suficiente para cobrir 7,71 meses de vencimentos da dívida interna.
O ponto em aberto
O Plano Anual de Financiamento do Tesouro projeta a dívida entre R$ 9,7 trilhões e R$ 10,3 trilhões ao fim de 2026. Em setembro, o estoque ainda estava abaixo desse piso.
A trajetória de alta dos últimos meses, somada ao custo de 12,63% ao ano para carregar o estoque atual, é o que vai decidir se o ano termina dentro ou fora da faixa que o próprio governo estabeleceu.































