Um documento apresentado como "relatório pericial independente" circula nas redes desde quarta-feira (28 de outubro) alegando fraude na eleição presidencial. Até esta quinta-feira (29), as publicações somavam ao menos 1,2 milhão de visualizações no X e 200 mil curtidas no Instagram.
O relatório foi publicado originalmente pela conta @Youvebeenpwned_, criada em outubro, que afirma falsamente ser ligada ao grupo hacker Anonymous. O documento faz quatro alegações, e o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contesta cada uma delas com números da própria apuração.
O que o relatório alega, e o que o TSE responde
A principal alegação é que Flávio Bolsonaro teria vencido se a votação tivesse terminado às 17h do dia da eleição. Segundo o TSE, apenas 34.393 votos foram registrados depois desse horário, enquanto Lula venceu a eleição por 4,4 milhões de votos.
"O voto é secreto: não é possível determinar se esses 34 mil votos foram dados a um candidato ou a outro", afirma o TSE.
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O órgão também nega a alegação de que 2,5 milhões de eleitores teriam votado em urnas liberadas após as 17h. A checagem mostra que cerca de 2,46 milhões desses votos foram registrados antes do horário.
O documento ainda diz que o TSE escondeu os microdados da eleição por 72 horas. É falso: o tribunal disponibilizou os logs das urnas de forma progressiva, à medida que a totalização avançava, e análises de imprensa já circulavam horas após o fechamento das urnas.
O que diz a alegação sobre biometria
O relatório afirma que 8,6 milhões de eleitores votaram sem verificação biométrica, mas isso não indica fraude. Segundo o TSE, "os arquivos divulgados pelo TSE não trazem uma lista que indique em quem cada pessoa habilitada sem reconhecimento biométrico votou".
A verificação de identidade também ocorre por conferência de ano de nascimento e assinatura, método que o sistema eleitoral já usa há décadas como alternativa à biometria.
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O documento ainda invoca a Lei de Benford, fórmula estatística que pesquisas da Universidade de Cambridge, do Conselho Europeu e do Carter Center consideram não confiável para analisar dados de eleição eletrônica.
O que acontece agora
O episódio se soma a outras tentativas de disseminar desinformação sobre as urnas nesta eleição. Em outubro, o Ministério Público Eleitoral já havia pedido a remoção de vídeos falsos sobre urnas e embaixadas.
O TSE audita as urnas eletrônicas por amostragem a cada eleição, procedimento público que qualquer partido pode acompanhar. Até a publicação desta matéria, o tribunal não informou se vai notificar as plataformas para remover o relatório falso do ar.































