A Nasa fechou um contrato de US$ 3 milhões com a EarthDaily, empresa canadense de satélites que atende o agronegócio e a exploração mineral no Brasil. A parceria vai testar o uso comercial desses dados no monitoramento da superfície terrestre.

A empresa tem sede própria em São Paulo e também presta serviço a mineradoras que buscam terras raras. O Brasil tem a segunda maior reserva do mundo do material, atrás só da China.

A parceria também envolve o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) e vai avaliar os dados da constelação de satélites da EarthDaily pelos padrões do Landsat, o programa histórico de observação da Terra da Nasa.

Como o satélite ajuda a achar terras raras

O satélite não enxerga diretamente uma jazida de terras raras no subsolo, mas ajuda a apontar onde procurar. Sensores espectrais identificam assinaturas minerais e alterações geológicas na superfície que podem indicar certos tipos de depósito, segundo nota da EarthDaily.

Esses dados são combinados com informações geológicas, geofísicas e geoquímicas para escolher áreas prioritárias de investigação em campo e, depois, de perfuração.

A constelação de satélites também serve para monitorar florestas: mudanças na vegetação, estresse ambiental, incêndios e áreas queimadas entram no radar da empresa.

O interesse dos Estados Unidos por terras raras brasileiras já vinha crescendo: um acordo no setor chegou a ser cotado para render um novo encontro entre Lula e Trump, em setembro.

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As duas organizações também vão estudar como essas observações comerciais podem alimentar produtos de observação da Terra preparados para uso com inteligência artificial.

Não é a primeira vez que a Nasa soma forças com projetos brasileiros de tecnologia espacial: em agosto, a agência ajudou a criar um sistema de IA para um telescópio brasileiro.

O que acontece agora

Nasa e USGS vão avaliar se os dados da EarthDaily alcançam qualidade equivalente à do Landsat em reflectância e temperatura de superfície. O resultado deve orientar se o governo americano passa a incorporar dados comerciais aos seus programas públicos de monitoramento.