O governo federal contabilizou 10 assassinatos de apoiadores do presidente Lula entre 24 e 27 de outubro de 2026, nos dias seguintes ao 2º turno. O balanço, apresentado em coletiva no Ministério da Justiça na quarta-feira (28 de outubro), soma 45 casos de violência política.
A coletiva foi conduzida por Guilherme Boulos, ministro da Secretaria-Geral da Presidência, ao lado do secretário Nacional de Segurança Pública, Chico Lucas, e de outros dois secretários do Ministério da Justiça.
Segundo o governo, os 45 casos incluem agressões e atropelamentos registrados entre sábado (24) e terça-feira (27 de outubro), nos dias imediatamente após a vitória de Lula sobre Flávio Bolsonaro no 2º turno. Três das dez vítimas fatais eram indígenas.
"Em sua maioria como reação ao resultado eleitoral", disse Boulos sobre a motivação dos ataques. Os crimes, segundo o ministro, "não ficarão impunes".
Publicidade
O governo anunciou três medidas: centralização das investigações na Procuradoria-Geral da República (PGR), acionamento da Polícia Federal para identificar e prender os responsáveis, e cobrança às corregedorias estaduais para afastar policiais envolvidos nos episódios.
O governo atribui a maior parte dos ataques a apoiadores de Flávio Bolsonaro (PL), derrotado no 2º turno. Nenhuma prisão ou nome de suspeito foi divulgado até a publicação desta reportagem, e não há condenação em nenhum dos casos.
A campanha de Flávio Bolsonaro e o PL não se manifestaram publicamente sobre o balanço até a publicação desta reportagem.
Episódios de hostilidade já vinham sendo registrados antes da votação. Em outubro, um confronto envolvendo Michelle Bolsonaro expôs o clima mais hostil da campanha.
Publicidade
Antes do 2º turno, fazendeiros chegaram a ameaçar invadir terra indígena caso Flávio vencesse a eleição.
A violência política não ficou restrita a agressões físicas. As denúncias de assédio eleitoral no ambiente de trabalho também subiram 75% depois do 2º turno, segundo levantamento divulgado nesta semana.
O que acontece agora
Com a centralização na PGR, as investigações sobre os 45 casos passam a ser conduzidas em conjunto com a Polícia Federal, segundo o governo. As corregedorias estaduais ainda vão apurar se policiais participaram de algum dos episódios.































