O Ministério da Saúde lançou, na quinta-feira (29 de outubro), um painel para monitorar a cobertura da vacina meningocócica ACWY entre adolescentes, hoje em 67% no país. A ferramenta deve orientar estados e municípios na busca pelos que ainda não se vacinaram.

A vacina protege contra quatro sorogrupos da bactéria Neisseria meningitidis (A, C, W e Y), que causam a doença meningocócica invasiva. A infecção pode se manifestar como meningite ou meningococcemia, forma mais grave e de evolução rápida.

O imunizante está no Calendário Nacional de Vacinação do Adolescente desde 2020, aplicado em dose única. Diagnosticar a doença cedo não é simples: os sintomas iniciais da meningite costumam ser inespecíficos, o que reforça o peso da prevenção pela vacina.

O painel separa os adolescentes por ano de nascimento e reúne os registros válidos de doses aplicadas nos sistemas nacionais de informação em saúde. A ferramenta deixa visível, pela primeira vez de forma consolidada, em quais faixas etárias e regiões a cobertura está mais baixa.

Segundo o Ministério, o objetivo é identificar regiões com baixa cobertura vacinal e subsidiar ações de busca ativa dos adolescentes que ainda não se vacinaram.

O problema não é exclusivo da meningite. Segundo o diretor do Programa Nacional de Imunizações, Eder Gatti, mais de 3 milhões de adolescentes tomaram a primeira dose da vacina contra a dengue e ainda não voltaram ao posto para completar o esquema.

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A dengue também mira a faixa de 10 a 14 anos, público próximo ao da Campanha Nacional de Multivacinação.

Gatti apresentou os números em palestra na 28ª Jornada Nacional da Sociedade Brasileira de Imunizações, no Rio de Janeiro. Do total de 11,8 milhões de doses de dengue aplicadas no país, 7,6 milhões foram de primeira dose e apenas 4,2 milhões de segunda.

Nenhuma das fontes consultadas pela reportagem detalhou meta de cobertura para a vacina meningocócica, número de casos de meningite no período ou a distribuição da cobertura por estado.

O que acontece agora

Com os dados do painel, secretarias estaduais e municipais de saúde devem planejar campanhas e busca ativa dos adolescentes sem a dose registrada. O Ministério não divulgou prazo para a próxima atualização dos números.

Outras campanhas recentes mostram esse mesmo esforço de ampliar cobertura: em agosto, um Dia D de vacinação infantil reuniu proteção contra 20 doenças em um só mutirão.