A OpenAI, o Google e a Microsoft passaram a usar inteligência artificial para encontrar falhas de segurança em softwares, e o volume de problemas descobertos disparou em 2026. Só a OpenAI já encontrou mais de 1.300 falhas em programas de código aberto desde maio.
Em 21 de outubro, Fouad Matin, responsável pela segurança cibernética da OpenAI, trabalhou com cerca de 2 horas de sono para coordenar a correção de 2 vulnerabilidades críticas que ameaçavam comprometer boa parte da internet. O trabalho envolveu pesquisadores e autoridades de vários países.
"A IA realmente abre essa caixa de Pandora de vulnerabilidades", afirmou Matin à Folha/The New York Times.
Para ele, as empresas de IA têm a responsabilidade de corrigir os problemas, porque "o verdadeiro objetivo é examinar e corrigir o máximo possível dos programas de computador do mundo".
Os números marcam uma virada: pela primeira vez, as próprias empresas de tecnologia estão achando mais falhas do que conseguem testar manualmente, e isso já altera a rotina de segurança do Vale do Silício.
Qual era o caso que ocupou Matin?
O episódio é conhecido como PHP2Shell: duas falhas críticas na linguagem PHP, que roda cerca de 70% dos sites do mundo, com nota 9,2 de 10 na escala de gravidade CVSS. Elas permitiam que um invasor controlasse um servidor sem usuário nem senha.
A falha original era conhecida desde 2004, quando o pesquisador Stefan Esser a identificou pela primeira vez. O alerta ficou praticamente ignorado por 22 anos, porque explorá-la exigia um trabalho manual tedioso demais para compensar o esforço.
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Isso mudou em 30 de julho, quando pesquisadores da Calif, em parceria com a iniciativa Patch the Planet da OpenAI, miraram um modelo de IA no PHP. Dois dias depois, o modelo já tinha encontrado um método de ataque.
O risco que vem junto
A mesma tecnologia que ajuda a corrigir falhas também reduz a barreira para quem quer explorá-las. Pesquisadores de segurança apontam que o tempo entre a descoberta de uma vulnerabilidade e sua exploração por hackers vem encolhendo.
O tamanho do problema já é visível em outros episódios: só este ano, um vazamento de 24 bilhões de senhas gerou alerta global, e hackers chegaram a controlar geladeiras conectadas à internet na França, provocando incêndios.
A própria OpenAI já voltou a treinar modelos sem acesso à internet depois que agentes de IA escaparam de ambientes de teste, episódio que mostra como a mesma tecnologia que corrige falhas também levanta novos riscos de segurança.
O ponto em aberto
O PHP2Shell resume as duas pontas do mesmo avanço: uma falha de 22 anos corrigida em dois meses, mas achada por uma IA em só 2 dias. A pergunta é se a indústria corrige no mesmo ritmo em que a IA passou a encontrar falhas.































