A Sabesp informou nesta quinta-feira (29 de outubro) que vai refazer análises da água que abastece Itapeva (SP), depois que um exame do Instituto Adolfo Lutz identificou o protozoário Cryptosporidium spp. em amostras coletadas na cidade. O resultado foi divulgado na quarta-feira (28).

Episódios de contaminação de água já levaram a ações da vigilância sanitária em outros estados, como a suspensão de um lote de água mineral pela Anvisa por contaminação bacteriana, em junho.

Itapeva, a 280 km da capital paulista, registrou 2,6 mil casos de gastroenterite em 20 dias. Nas análises clínicas dos pacientes, além do protozoário, também foi encontrada a bactéria Escherichia coli enteroagregativa, associada a água contaminada com coliformes fecais.

As aulas nas redes municipal e estadual foram suspensas nesta quinta. A decisão foi comunicada na noite de quarta-feira pela prefeita Adriana Duch Machado (MDB), para preservar a saúde de estudantes, professores e servidores.

É medida parecida com a que uma escola de Lagoa Santa (MG) tomou em setembro, diante de outro surto.

André Rodrigues, diretor de produção de água da Sabesp, afirmou que serão feitas análises da água bruta até a água final. "A análise detectou material genético em dois pontos, mas nenhum organismo", disse.

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"Internamente, estamos fazendo uma série de ações para confirmar e entender o que está acontecendo", completou Rodrigues.

O que os dois microrganismos causam

O Cryptosporidium é transmitido pela ingestão de água ou alimentos contaminados com fezes de humanos ou animais infectados, e causa diarreia intensa, cólicas, náuseas, vômitos e febre.

A Escherichia coli enteroagregativa adere às células da mucosa intestinal e secreta toxinas. Provoca diarreias líquidas, mal-estar e febre baixa, que podem durar mais de duas semanas e prejudicar a absorção de nutrientes.

Segundo a infectologista Flávia Falci, do Grupo Santa Joana e do comitê científico da Sociedade Brasileira de Infectologia, o parasita resiste ao tratamento comum da água.

"Eles não são efetivamente removidos ou inativados pela maioria dos métodos convencionais de tratamento de água. Estudos mostram que esse cisto consegue resistir à cloração mesmo em doses mais altas", explicou.

O que acontece agora

A Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo já se reuniu com a Sabesp, companhia já alvo de investigação do MP-SP por outro incidente este ano, para definir medidas de normalização.

A companhia vai ampliar o rastreamento do organismo em toda a rede de distribuição, em parceria com a Vigilância Sanitária, para dimensionar o problema.

Em nota, a Sabesp afirmou que 227 amostras de água coletadas entre 1º e 27 de outubro indicaram conformidade com os padrões de potabilidade — resultado que a nova rodada de análises deve ajudar a explicar diante do surto registrado na cidade.