O rover Perseverance, da Nasa, detectou as partículas de poeira mais finas já registradas em Marte: cerca de 100 nanômetros de diâmetro, 500 vezes mais finas que um fio de cabelo humano. O achado foi descrito em estudo publicado na segunda-feira (26) na revista PNAS.
O autor principal do estudo é Scott VanBommel, cientista planetário da Universidade de Washington em St. Louis (EUA) e integrante da equipe científica do Perseverance, que opera na Cratera Jezero desde 2021.
"Um tamanho menor de partícula não torna necessariamente a poeira mais perigosa. No entanto, partículas menores têm maior potencial para penetrar mais profundamente no corpo humano e são mais difíceis de serem eliminadas pelo organismo", afirma VanBommel.
O instrumento PIXL do rover identificou duas categorias de partículas menores que as já conhecidas: as ultrafinas, de cerca de 100 nanômetros, e uma categoria fina, com menos de 2,5 micrômetros. Medições anteriores só haviam encontrado partículas de até 3 micrômetros.
Por que o tamanho da poeira preocupa cientistas?
Partículas tão pequenas podem penetrar nos pulmões de um astronauta, entrar na corrente sanguínea e, potencialmente, causar danos a órgãos vitais. A poeira marciana contém sílica, compostos de ferro e compostos de cloro, como o perclorato, nocivos em doses altas na Terra.
"Como ocorre com qualquer substância, a toxicidade depende da dose e da duração da exposição", explica VanBommel.
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O Perseverance mediu a poeira aderida a materiais de trajes espaciais levados a bordo para teste, como a fibra sintética Vectran e o revestimento Teflon, depois de 1.645 dias marcianos de exposição ao ambiente do planeta.
O precedente da poeira lunar
Astronautas da Apollo já relataram irritação respiratória após inalar poeira da Lua dentro dos módulos de pouso. O astronauta Harrison Schmitt, da Apollo 17, teve febre, espirros e dor de garganta após a exposição, episódio batizado de "febre do feno lunar".
A preocupação com materiais de proteção ganha peso com o avanço dos planos de exploração humana: a Nasa testou recentemente o escudo térmico da missão Artemis 2 e parceiros privados vêm desenvolvendo novos materiais para trajes espaciais.
O que acontece agora
VanBommel diz que não há evidência de que a poeira tenha danificado os materiais testados, só que ela interage de formas diferentes com cada um. O Vectran reteve partículas maiores de poeira, concentradas na parte inferior de sua trama, segundo o estudo.
A Nasa mira o retorno de astronautas à Lua em 2028 como etapa anterior a uma eventual missão tripulada a Marte, para a qual o risco da poeira ultrafina ainda precisa ser equacionado.































