Estados Unidos, Rússia e China entraram em uma corrida para instalar reatores nucleares na Lua. A Nasa quer lançar seu reator até dezembro de 2030, enquanto russos e chineses trabalham juntos para colocar um sistema rival em operação até 2036.

O Lunar Reactor 1, da Nasa, deve gerar 20 quilowatts de eletricidade, o equivalente ao consumo de cerca de 16 residências americanas. Ele funcionaria por cinco anos sem intervenção humana, alimentando bases durante as longas noites lunares.

Do lado russo-chinês, a Rússia ficou encarregada de desenvolver o reator Selena, que vai fornecer energia para estações lideradas pela China. O equipamento produziria até 10 quilowatts, metade da potência americana, mas por uma década, o dobro do prazo do projeto dos EUA.

Por que a energia decide quem fica na Lua

Painéis solares não bastam para manter equipamentos funcionando durante a noite lunar, que dura mais de duas semanas seguidas. A própria Blue Origin revelou uma torre para gerar energia solar na Lua, numa aposta alternativa à nuclear.

É por isso que o reator nuclear virou peça central da disputa por bases permanentes e pelo acesso à água congelada do polo sul lunar.

Quem instalar o primeiro reator funcional ganha vantagem para reivindicar as áreas mais disputadas da Lua, o que pesquisadores associam ao risco de criar "zonas de exclusão de fato" em território que nenhum país pode legalmente possuir.

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"Praticamente não há concorrentes para a Rússia no campo da energia nuclear espacial", disse Mikhail Kovalchuk, do Instituto Kurchatov, que lidera o desenvolvimento do reator russo.

O precedente que preocupa cientistas

Reator nuclear no espaço não é tecnologia nova: a Nasa lançou seu primeiro em 1965. Mas o setor já teve um acidente real. Em 1978, o satélite soviético Kosmos 954 reentrou de forma descontrolada na atmosfera e espalhou destroços radioativos no norte do Canadá.

"Este é o momento em que existe muito risco", disse Leopold Summerer, da ONU, sobre a aceleração do programa. Edwin Lyman, da Union of Concerned Scientists, avalia que a corrida "pode tomar um rumo potencialmente mais perigoso".

Nem todos veem a disputa como ameaça. Katy Huff, da Universidade de Wisconsin, defende mais cooperação entre os países: "Quero ver mais colaboração internacional no espaço."

Nenhum dos dois projetos tem data de lançamento oficialmente confirmada. A Nasa ainda precisa selecionar a empresa que vai construir o Lunar Reactor 1, e o programa lunar americano já enfrenta atrasos: uma falha no motor da Starship pode atrasar a missão lunar.

A corrida pelo reator é só um capítulo de uma disputa maior: a Lua já virou alvo de investimento bilionário de empresas privadas, que também competem por contratos e infraestrutura no satélite.

O ponto em aberto

O Tratado do Espaço Exterior de 1967 proíbe qualquer país de reivindicar soberania sobre a Lua, mas não trata de reatores nucleares nem de áreas de exclusão ao redor deles.

Enquanto EUA, Rússia e China correm para instalar seus sistemas primeiro, fica em aberto quem vai decidir as regras de segurança para essa nova fase da corrida espacial.