Nossa Senhora Aparecida foi proclamada padroeira do Brasil há 95 anos, em decreto assinado pelo papa Pio XI em 16 de julho de 1930. A cerimônia solene aconteceu em 1931, no Rio de Janeiro, então capital federal, com a presença de Getúlio Vargas.

Cerca de 1 milhão de pessoas acompanharam o ato.

O pedido partiu do cardeal Sebastião Leme, arcebispo do Rio, aprovado pelos bispos brasileiros no Congresso Mariano de 1929. A festa litúrgica no dia 12 de outubro só foi instituída depois, em 1953, pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).

Como o 12 de outubro virou feriado nacional?

O 12 de outubro só virou feriado nacional em 30 de junho de 1980, quando o presidente João Figueiredo sancionou a Lei 6.802. A data coincidiu com o desembarque do papa João Paulo II no Brasil, em Brasília.

Passadas quase cinco décadas da lei, e quase um século da proclamação, o santuário em Aparecida (SP) cresceu para se tornar o maior templo mariano do mundo e o segundo maior templo católico do planeta, atrás apenas da Basílica de São Pedro, no Vaticano.

Em 2025, 10.486.118 pessoas visitaram o complexo, 15% a mais que no ano anterior. Em celebrações ao ar livre, a estrutura comporta até 300 mil pessoas de uma vez.

Publicidade

Por que o símbolo virou disputa eleitoral?

O mesmo símbolo que uniu Igreja e Estado em 1931 tornou-se, em 2026, um dos pontos mais tensos da disputa presidencial.

Um boato sobre a santa já provocou crise entre as campanhas de Flávio Bolsonaro e Lula e chegou a pressionar o STF. Até o papa Leão XIV citou o caso para tentar conter a repercussão.

Às vésperas do feriado, a imagem da padroeira voltou a aparecer como palco da disputa religiosa do 2º turno, num episódio distinto do boato de setembro.

O ponto em aberto

O mesmo símbolo que em 1931 reuniu Estado e Igreja em torno de uma ideia de unidade nacional é hoje disputado por campanhas rivais, cada uma tentando se apropriar dele.

Fica a pergunta de fundo: um símbolo pensado para unir resiste a virar bandeira de um só lado, 95 anos depois?