A Polícia Federal avalia pedir aos Estados Unidos a extradição do ex-deputado Eduardo Bolsonaro, depois que o ministro Alexandre de Moraes, do STF, determinou a prisão dele em 8 de outubro. Eduardo foi condenado a quatro anos e dois meses por coação.

O processo apura a tentativa de golpe de Estado. A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) rejeitou por unanimidade, em 28 de setembro, o último recurso da defesa, e a condenação transitou em julgado em 3 de outubro.

O Ministério Público Federal apontou a articulação como prova de interferência no processo do pai. Citou a suspensão de vistos de ministros do STF, as sobretaxas do tarifaço sobre produtos brasileiros e as sanções da Lei Magnitsky contra Moraes.

Eduardo mora nos Estados Unidos desde o início de 2025 e recebeu, em julho, um green card que garante residência permanente no país. O documento torna qualquer pedido de extradição mais lento e incerto, porque depende da cooperação das autoridades americanas.

Além do mandado de prisão, Moraes cancelou os passaportes brasileiros de Eduardo e incluiu seu nome no Banco Nacional de Monitoramento de Prisões.

Também suspendeu os direitos políticos dele durante a condenação, e fixou multa de 50 dias-multa, no valor de R$ 162 mil.

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Em publicação nas redes sociais, Eduardo classificou o mandado como um gesto que só serviria para acirrar os ânimos no país. Ele segue nos Estados Unidos desde o início de 2025.

A defesa de Eduardo, feita pela Defensoria Pública da União (DPU), pediu que Moraes fosse declarado impedido de julgar o caso, alegando que o ministro seria um dos alvos das ações atribuídas ao ex-deputado.

A DPU sustentou que ele não tinha poder para impor sanções ao Brasil ou aos ministros do STF, e que agiu apenas no exercício de interlocução política e liberdade de expressão.

O pedido não foi acolhido pela Primeira Turma.

A condenação por coação é um capítulo separado do processo da trama golpista que já levou à prisão de Jair Bolsonaro. Em setembro, Eduardo pediu diretamente a Trump a aplicação da Lei Magnitsky contra Moraes.

Documentos citados por um fundo de investimento americano já apontavam o lobby do ex-deputado contra o STF dias antes do mandado de prisão.

O que acontece agora

A Polícia Federal ainda avalia formalizar o pedido de extradição aos Estados Unidos, procedimento que depende da cooperação das autoridades dos dois países. Eduardo segue amparado pelo green card obtido em julho.

O mandado de prisão decretado por Moraes permanece em vigor, e o nome de Eduardo consta no Banco Nacional de Monitoramento de Prisões.