O CEO da fornecedora americana de tecnologia quântica Vescent, Scott Davis, projeta que o setor pode movimentar entre US$ 900 milhões e US$ 2 trilhões até 2035. A empresa atende quase todos os grandes agentes do setor nos Estados Unidos.

Davis vê computação, comunicação e temporização como as três frentes do mercado. Juntas, elas podem atingir US$ 173 bilhões até 2040, segundo o executivo.

A Vescent desenvolve equipamentos para as três aplicações e está no centro da corrida internacional para transformar a física quântica, considerada altamente complexa, em produtos comerciais.

Cientistas do setor avaliam que as primeiras aplicações comerciais em larga escala ainda estão a anos de distância, apesar das projeções otimistas de executivos como Davis.

Quem são os primeiros clientes

Os computadores quânticos não vão substituir smartphones ou laptops, mas têm potencial de uso comercial em setores específicos. Segundo Davis, farmacêuticas e o mercado financeiro devem ser os primeiros a adotar a tecnologia.

O executivo citou relógios atômicos para sincronizar transações na Bolsa de Valores como um dos primeiros usos práticos. "Para a computação quântica, esses serão os primeiros clientes", disse Davis a jornalistas internacionais durante visita à sede da empresa, em Boulder, no Colorado.

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Davis também cita pesquisa de materiais para rede elétrica, aeronaves e defesa entre os usos potenciais. A Lockheed Martin, por exemplo, já desenvolve radares para drones, sensores e sistemas de navegação com base na tecnologia.

A computação quântica pode modelar sistemas complexos como o clima e ajudar a descobrir baterias e remédios, segundo o executivo, mas o próprio setor reconhece que essas aplicações ainda não saíram do laboratório.

Como o mercado se compara

A projeção de Davis entra em um setor onde grandes empresas de tecnologia já apostam pesado. A IBM planeja investir US$ 10 bilhões em computação quântica até 2029, enquanto a Amazon projeta um horizonte mais conservador.

A Amazon prevê utilidade prática da tecnologia em 5 a 7 anos, prazo mais curto que o de 2035 usado por Davis para o pico do mercado.

O apelido "Nvidia da quântica" remete à própria Nvidia, fabricante de chips que bateu recorde e se aproximou de valer US$ 6 trilhões neste mês, impulsionada pela corrida da inteligência artificial.