Os candidatos à Presidência mais bem posicionados nas pesquisas prometem incentivos fiscais e fabricação local de componentes para atrair mais data centers ao Brasil. A corrida ocorre enquanto cidades americanas protestam contra o avanço dessas instalações, que consomem muita água e energia.

O Brasil tem 218 data centers e ocupa o 12º lugar no ranking mundial, segundo o site Data Center Map. Os Estados Unidos lideram o segmento, com mais de 4.700 instalações.

A distância entre os dois países tem efeito direto no bolso. O Brasil fechou 2025 com déficit de US$ 8 bilhões na balança de serviços de computação, segundo a Brasscom, associação de empresas brasileiras de tecnologia.

O déficit vem do processamento feito fora do país: com menos data centers instalados, boa parte dos dados brasileiros é armazenada e processada no exterior. O rombo é consequência direta dessa dependência externa.

Por que o Brasil quer o que os EUA rejeitam?

A resposta está na matriz energética e no tamanho do mercado. Os EUA dependem principalmente de petróleo e gás natural para gerar eletricidade, enquanto o Brasil produz energia majoritariamente de fontes renováveis, como hidrelétricas, argumento central dos planos de governo.

Para Daniel Cordeiro, professor da Universidade de São Paulo (USP) e especialista em computação sustentável, o Brasil precisa aumentar sua capacidade computacional. Mas deve evitar os problemas que já atingem outros países, segundo ele.

"Ainda não chegamos na quantidade de data centers e de problemas que esses outros países já têm", afirma Daniel Cordeiro, da USP.

A oposição aos data centers já aparece em 49 dos 50 estados americanos. Somente no primeiro semestre de 2026, 120 projetos avaliados em US$ 198 bilhões foram bloqueados ou atrasados após protestos locais, segundo o Data Center Watch. Quatorze estados chegaram a propor moratórias.

Em Nova York, a governadora Kathy Hochul suspendeu novas licenças por um ano.

No Brasil, o tema também já é consenso raro entre os presidenciáveis. Planos de governo de Lula, Flávio Bolsonaro, Caiado, Zema e Renan Santos defendem algum tipo de incentivo ao setor.

O apetite do mercado já aparece nos negócios. Mesmo com a abertura de capital mais difícil para o setor, empresas como a DayOne seguem com planos de expansão no país.

O que acontece agora

O debate sobre energia e água consumidos por data centers deve crescer à medida que mais projetos saem do papel no Brasil. Autoridades locais já questionam o impacto de empreendimentos específicos, no mesmo movimento que ganhou força nos EUA.

O resultado da corrida eleitoral deve definir o ritmo dos incentivos: cada um dos principais planos de governo trata o tema de um jeito, da fabricação local de chips à regulação da inteligência artificial que vai rodar dentro desses centros.