A China confirmou neste sábado (26) ter fechado acordo com os Estados Unidos para reduzir tarifas comerciais e abrir diálogo sobre inteligência artificial (IA). O resultado veio da cúpula entre o presidente chinês, Xi Jinping, e o americano, Donald Trump, em Washington.
O anúncio partiu do Ministério das Relações Exteriores chinês. Segundo a pasta, as medidas fazem parte de um consenso de oito pontos. Os dois países também combinaram criar um conselho comercial bilateral e dar continuidade aos entendimentos de Kuala Lumpur.
O consenso confirma o acordo de alívio tarifário de US$ 30 bilhões (cerca de R$ 156 bilhões) já anunciado pela Casa Branca na sexta-feira (25), válido até janeiro de 2027. A cúpula durou três dias e terminou sem grandes avanços anunciados além do já divulgado.
Xi já retornou a Pequim, segundo a agência estatal chinesa Xinhua.
O anúncio chinês vem dias depois de EUA e China decidirem prorrogar por dois meses a trégua comercial que terminaria em 10 de novembro. Segundo o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, a extensão dá aos dois países mais tempo para negociar.
Na área de inteligência artificial, os dois governos concordaram em manter discussões sobre os riscos e benefícios da tecnologia. A proposta de um mecanismo de alerta sobre IA já havia sido levada pelos Estados Unidos à China antes da cúpula.
O ponto mais concreto é a criação de um canal de comunicação específico para incidentes relacionados à IA, com a primeira rodada de conversas prevista para novembro, segundo o Ministério das Relações Exteriores chinês.
Os dois países também concordaram em apoiar um ao outro na realização das próximas reuniões de líderes da Apec e do G20. Na política externa, concordaram que o Irã deve cumprir o compromisso de não desenvolver armas nucleares.
O consenso ainda prevê que nenhum país cobre taxas pela passagem em vias navegáveis internacionais.
Como fica o Brasil nessa disputa?
O Brasil negocia à parte a redução do próprio tarifaço dos EUA, numa reunião de ministros do Comércio do G20 em Milwaukee, entre 30 de setembro e 1º de outubro.
Os ministros Mauro Vieira e Márcio Elias Rosa já montaram agenda paralela com o representante comercial americano, Jamieson Greer.
Para o especialista em comércio exterior Jackson Campos, o encontro pode esclarecer o alcance de um eventual acordo, mas ainda não há redução tarifária confirmada para o Brasil. "O risco é embarcar com uma expectativa de custo e encontrar outro tratamento na chegada", afirmou.
Campos lembra que as consultas brasileiras na Organização Mundial do Comércio (OMC) seguem procedimento próprio. Uma retirada da sobretaxa de 25% aplicada pelos EUA, segundo ele, não elimina sozinha os 12,5% de tarifa adicional nem as demais tarifas em vigor.
O que acontece agora
A primeira rodada de conversas sobre IA entre China e EUA está marcada para novembro. Antes disso, a reunião de ministros do Comércio do G20 em Milwaukee deve indicar se o Brasil avança na própria negociação tarifária com Washington.
O primeiro encontro presencial entre Brasil e EUA sobre o tarifaço já havia sido marcado antes da cúpula com a China. O conselho comercial bilateral entre China e EUA ainda não tem data de primeira reunião.
A trégua tarifária entre os dois países vale até janeiro de 2027. O motivo de a visita de Xi aos EUA importar para o Brasil está ligado à disputa por mercado agrícola e à corrida tarifária que os dois países travam com Washington.
































