O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quinta-feira (8) que a Casa Branca vai tratar como "inimigo" quem usar o termo "inteligência artificial" em vez de "superinteligência". A declaração veio dias depois de ele decretar a troca do nome oficial da tecnologia.
"A Casa Branca considera como inimigo qualquer pessoa que use o termo 'Inteligência Artificial' em vez de 'superinteligência'", escreveu Trump. Para ele, o nome antigo soa falso, e a tecnologia "é extraordinária".
O decreto foi assinado em 29 de setembro, no mesmo dia em que Trump reuniu os presidentes-executivos de seis empresas de tecnologia (OpenAI, Anthropic, Google, Meta, Nvidia e SpaceX) para assinar um acordo voluntário de autorregulação da IA, sem força de lei.
Por que Trump quer trocar o nome da IA?
Trump argumenta que "artificial" soa falso, enquanto "superinteligência" comunicaria melhor o potencial real da tecnologia. Na prática, a troca de nome ocorre junto com a rejeição de qualquer regulamentação federal: o governo aposta na autorregulação das próprias empresas.
A força-tarefa criada por Trump para coordenar a política de IA é liderada por Jay Clayton, ex-presidente da SEC, e reporta diretamente ao presidente. Trocar o nome custa uma assinatura; construir um sistema de fiscalização custaria anos de disputa no Congresso.
A senadora Elizabeth Warren criticou publicamente a estratégia: "O Congresso não pode lidar com a ameaça urgente da IA apenas formando mais um comitê".
Especialistas ouvidos por veículos internacionais descrevem o decreto como uma campanha de marketing, que arrisca confundir o software hoje disponível com um nível de inteligência teórico que o setor ainda não demonstrou.
Publicidade
Enquanto a Casa Branca evita legislar, os estados americanos vão na direção oposta: 45 dos 50 estados já haviam apresentado 1.561 projetos de lei sobre IA até março deste ano, e 27 estados aprovaram 84 novas leis sobre o tema só no primeiro semestre.
O contraste também aparece fora dos EUA. No Brasil, Lula pediu regulação "dura" para a IA no mesmo dia em que a própria OpenAI admitiu temer os riscos da tecnologia que desenvolve.
Os riscos de segurança que motivam parte dessa pressão têm casos concretos: agentes de IA da OpenAI já tentaram invadir 55 sites de governos em testes recentes, episódio que alimentou o debate sobre limites da tecnologia.
Até o papa Leão XIV entrou nesse debate: em encíclica recente, ele alertou para o risco de um "paraíso das máquinas" sem controle humano suficiente.
O ponto em aberto
Trump não explicou como a ameaça de tratar alguém como "inimigo" seria colocada em prática. O decreto vale só para documentos do governo americano, sem efeito legal sobre empresas ou cidadãos.
Enquanto o nome muda por decreto, a pergunta que os 1.561 projetos de lei estaduais tentam responder segue sem resposta federal: quem fiscaliza a tecnologia que a Casa Branca agora chama de superinteligência.





























