O Senado Federal nunca foi presidido por uma mulher em 203 anos de história, segundo a contagem usada pela senadora Tereza Cristina (PP-MS). Ela quer ser a primeira, na eleição da Mesa Diretora marcada para 1º de fevereiro de 2027.

Sempre disse, meu projeto prioritário é ser a primeira mulher a ocupar a cadeira depois de 203 anos da existência deste Senado Federal.

A frase, dita à CNN Brasil, resume a prioridade que ela repete desde outubro.

O Brasil elegeu 12 mulheres para o Senado nas eleições de outubro de 2026, o maior número desde a redemocratização. A partir de 2027, a bancada feminina soma 18 das 81 cadeiras da Casa.

O avanço eleitoral não resolveu, sozinho, a ausência na liderança da Casa. Mais mulheres no plenário não significou, até hoje, nenhuma delas na cadeira mais alta.

A Câmara dos Deputados vive o mesmo histórico. Rose de Freitas (então PMDB) foi a primeira mulher a disputar a presidência da Casa, em 2013, e perdeu para Henrique Eduardo Alves com 47 dos 513 votos.

Depois dela, Luiza Erundina (PSOL-SP) tentou três vezes, em 2016, 2017 e 2021, e Cristiane Brasil (PTB) concorreu em 2016. Nenhuma venceu.

No Senado, quem chegou mais perto foi Simone Tebet (MDB), hoje ministra do Planejamento e cotada para uma vaga no STF. Ela anunciou candidatura à presidência em 2019, desistiu para apoiar outro nome, e tentou de novo, sem sucesso, em 2021.

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O padrão se repete nos estados. Só 8 mulheres já presidiram assembleias legislativas no Brasil, em mais de um século de existência dessas casas, e 15 delas nunca tiveram uma mulher no comando, entre elas a do Ceará.

A primeira senadora da história do Brasil, Eunice Michiles, tomou posse em 31 de maio de 1979. O primeiro voto feminino no país veio antes, em 1932. A primeira deputada federal, Carlota Pereira de Queiroz, chegou à Câmara em 1934.

Como fica a disputa pela Mesa do Senado?

Tereza Cristina entrou na disputa como alternativa à reeleição de Davi Alcolumbre e à candidatura de Rogério Marinho, do PL, mas ainda negocia uma chapa única de oposição com Marinho para a votação de fevereiro.

A eleição é decidida por voto secreto, e são necessários ao menos 41 votos dos 81 senadores para vencer. O Congresso eleito em 2026 chegou perto de um recorde de mulheres, mas segue longe da paridade também na Câmara.

O que esse histórico ainda não resolve

O aumento de mulheres eleitas para o Senado não garantiu, até agora, nenhuma na cadeira mais alta da Casa. A Câmara viveu o mesmo padrão: teve 18 presidentes entre 1985 e 2023, todos homens.

Falta saber se a eleição de fevereiro de 2027 muda esse histórico, ou se o posto segue, como nos últimos 203 anos, sem nenhuma mulher.