O Ibama destruiu ou inutilizou 974 veículos e máquinas usados no garimpo ilegal em 2026, até 1º de novembro, segundo dados do órgão. O número supera em mais de três vezes o total de 2020 e se aproxima do recorde de 2025.

Vídeos de agentes explodindo e incendiando dragas e maquinário viralizaram nas redes sociais nas últimas semanas. A destruição busca impedir que o equipamento apreendido em áreas remotas volte a ser usado em novas infrações.

O analista ambiental do Ibama Rodrigo Cunha Pires afirma que a inutilização impede a reutilização dos equipamentos em atividades ilegais. Segundo ele, a perda do maquinário provoca a descapitalização dos grupos criminosos e torna inviável manter a atividade nos locais fiscalizados.

A prática tem respaldo no artigo 111 do Decreto 6.514/2008, que autoriza a destruição de produtos e instrumentos de infração ambiental quando o transporte e a guarda forem inviáveis, ou quando a posse expuser o meio ambiente ou os agentes a riscos.

A norma exige registro e laudo sobre as condições do bem antes e depois da ação.

O volume de itens destruídos mais que triplicou desde 2020: eram 329 em 2020, 1.053 em 2025, recorde da série, e já são 974 em 2026, até 1º de novembro.

O avanço segue a composição dos autos: 74% dos itens destruídos em 2026 citam garimpo, ouro ou mercúrio, e 60% estavam em terras indígenas. Só na Terra Indígena Sararé, em Mato Grosso, foram 192 itens.

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Uma operação na calha do rio Madeira, em Rondônia, inutilizou 72 embarcações e máquinas, entre elas 17 dragas, dois rebocadores e 21 motores. Fiscalizações como essa enfrentam resistência: equipes da PF, do Ibama e da Funai já foram recebidas a tiros na região.

Nem todos concordam com o método. A Defensoria Pública entrou com ação pedindo R$ 300 milhões em indenização para comunidades afetadas e a suspensão temporária da destruição por fogo e explosivos até haver um protocolo técnico.

Antes disso, o STF já havia determinado um plano para desocupar garimpeiros ilegais de terras indígenas no Mato Grosso e em Rondônia.

Segundo o levantamento, operações de 2025 deixaram 9,5 mil crianças sem aula e prejudicaram o comércio local em áreas afetadas. O Ministério Público Federal pede vistoria prévia das dragas, com registro fotográfico e rastreamento por satélite.

Qual é o impacto da destruição no garimpo ilegal?

A destruição tem efeito direto no caixa dos garimpeiros: o Ibama estima perda de R$ 642 milhões em prejuízo operacional para quem atua ilegalmente.

Na Terra Indígena Yanomami, a área ativa de garimpo caiu quase 99% entre março de 2024 e janeiro de 2026, de 4.570 para 56 hectares.

A região já teve ouro de garimpo ilegal rastreado até cadeias de fornecedores de Apple, Amazon e Microsoft.

O que acontece agora

O Ibama segue destruindo equipamentos conforme eles são apreendidos em operações contra o garimpo ilegal, sobretudo em terras indígenas e unidades de conservação na Amazônia. O ritmo de 2026 deve repetir, ou superar, o recorde de 1.053 itens inutilizados em 2025.

A ação da Defensoria segue em tramitação, sem data de julgamento definida.