Bancos e consultorias revisaram para pior as projeções de inflação e crescimento do Brasil em 2027. Economistas comparam o cenário à crise do governo Dilma Rousseff, entre 2014 e 2016. O Itaú BBA já prevê inflação de 6,1% e PIB de apenas 0,5% no país.
Não é só o Itaú. A ASA projeta PIB de 1% em 2027. A BGC Liquidez calcula inflação mediana de 5,3%, com 11% dos participantes da pesquisa prevendo alta acima de 6%.
A Anbima elevou o IPCA esperado de 4,3% para 4,9%, e o próprio Banco Central revisou sua projeção de inflação para 2027 a 4,7%, ante 3,9% antes. As duas estimativas ficam acima do teto da meta, de 4,5%.
A desconfiança já aparece nos preços. O dólar sobe e a Bolsa cai desde a vitória de Lula na eleição, e o mercado segue desconfiado do discurso fiscal do governo.
O que a comparação com a era Dilma mostra
Em janeiro de 2015, a inflação estava em 6,41%, o PIB de 2014 havia crescido só 0,5% e a Selic rodava a 11,75% ao ano. Foi o início da pior recessão do Brasil desde a redemocratização, com o PIB caindo em 2015 e 2016.
A situação fiscal hoje é avaliada como pior que naquela época. A dívida bruta do governo geral está em 82,9% do PIB, alta de 11,2 pontos percentuais no período recente, e os juros e o endividamento de famílias e empresas também são maiores.
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Você veio de vários anos de políticas extremamente voluntaristas e ultra intervencionistas naquela época.
A avaliação é do economista Silvio Campos Neto, da Tendências Consultoria, que projeta PIB de 0,7% para 2027.
Para o economista João Mário de França, da FGV-Ibre, "o modelo de crescimento adotado no Lula 3, baseado em impulsos fiscais, claramente mostra sinais de esgotamento".
O ponto em comum entre as duas crises não é só o número: é o esgotamento de um modelo de crescimento puxado por gasto público, sem reforma que sustente o resultado no tempo.
O que falta ouvir de Lula hoje
Em reunião no dia 5 de novembro, o secretário do Tesouro Nacional, Dario Durigan, afirmou que medidas fiscais novas não entraram em pauta. O mercado aguarda um pronunciamento de Lula hoje (8 de novembro) com compromissos fiscais mais claros.
Sem sinalização nova, a dúvida que já pesa sobre a Selic e a inflação projetada pelo mercado segue sem resposta.






























